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Boa leitura.
Basicamente a recepção foi uma palestra cheia de normas chatas. Já havia passado algumas horas, decidi olhar para trás e logo vi Kiyoshi jogando no meio da palestra. Quando estava quase caindo no sono, a palestra tomou um rumo diferente. Sim, agora era gincana com os calouros, não poderia ficar para trás.
- A primeira prova será karaokê – disse um veterano assumindo a liderança do evento.
Eu queria muito, muito mesmo participar, mas eu sei que minha voz se aproxima a afinação de um gato no cio. Logo os participantes foram indo à frente. Realmente deveria ter participado, pois todos ali eram gatos no cio. Então chegou a segunda prova. Dançar, sim, eu não sei dançar, mas minha vontade de participar de algo já estava me corroendo. Levantei minha mão.
- A dança será em casais, algum voluntário para dançar com a garota? – anunciou um veterano.
Casal? Não! Ou melhor, sim. Não demorou muito para que um garoto a minha frente se voluntariasse. Fomos à frente, nossa dupla era a ultima, analisei o inimigo. Venha à música irei renascer como uma diva ou pelo menos tentar não passar vergonha.
Após todos os casais dançarem foram distribuídos os prémios e uns narizes de palhaços.
- Agora escolham um amiguinho para passar vergonha e coloque o nariz nele – disse o veterano rindo.
Mas eu não tenho nenhum amigo ainda. Então esse é o momento de começar o inferno. Caminhei saltitando até Kiyoshi o surpreendendo com o nariz.
- Não é nada pessoal, mas vá dançar – sussurrei no ouvido dele.
Seu olhar deixava bem claro que ele desejava mais que nunca que eu morresse.
Com amor e carinho, quebrando as regras eu tirei meu celular da bolsa e comecei a filma-lo dançando. É sempre bom ter conteúdo para chantagens futuras.
As palestras acabaram e ao sair o ginásio havia diversos representantes de clubes entregando folhetos. Sei que no fundamental já tentei culinária, esportes, leitura, bom, ensino médio quero apenas conhecer pessoas populares e ir a diversas festas.
Caminhei até a sala de aula deparando com Kiyoshi sentado na ultima carteira no meio da sala, na maior cara de pau sentei ao lado dele. Estava disposta a viver com olhares mortais por um bom tempo.
Não demorou muito para vários calouros sentarem ao nosso lado. Logo um deles trouxe um assunto.
- Hiro, tem uma sala disponível para um antigo clube de programação, todos os membros se graduaram ano passado – disse Haru.
- Vamos conversar com os professores mais tarde sobre isso, Haru – respondeu Hiro ficando empolgado.
- Mas acho que só nós dois não vamos conseguir pegar a sala- disse Haru desapontado.
- Então faz o seguinte. Quem quer reviver um clube de programação? – continuou Hiro segurando uma folha para anotar os nomes.
Senti-me estranha, as nove pessoas que me cercavam assinaram a lista.
- Qual seu nome? – questionou Haru colocando a mão sobre minha mesa.
- Fuyu, por que? – respondi sem jeito.
- Viu anota ai, Hiro – disse o garoto ignorando minha pergunta.
- Está anotado, com ela serão duas mulheres – disse Hiro animado.
- Não, eu não quero – comecei a falar tentando tomar a folha de Hiro.
- Entra sim, senão vou me sentir sozinha. Prazer sou Kaori – disse a garota baixinha que se sentou a minha frente.
Não queria. Eu me interessava no assunto, mas não queria nenhuma atividade que me deixasse como uma nerd. Não consegui recusar pelos olhinhos carentes de Kaori. Por alguns minutos quase vi Kiysohi tirando seu nome da lista de membros.