Amar é uma ordem

  • Tema
  • Capitulos 8
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 47 minutos

    18
    Capítulos:

    Capítulo 6

    Dança

    Estupro, Hentai, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Oi oi, minna! Como vocês estão?

    Olhem, eu peço imenso desculpa por não ter postado nada nestes últimos tempo. Estou um pouquinho ocupada com meus estudos mas tenho andado aqui com umas ideias para a fic.

    Espero que gostem desse novo capítulo.

    Na manhã seguinte acordei bastante cedo. Às seis e meia da manhã me levantei da cama e fui tomar banho. A água estava fria. Muito fria aliás. Mas eu não queria saber.

    Depois do banho, me sequei com a toalha e voltei para o quarto, para me vestir. Lá peguei meu vestido bege e castanho. Aquele que eu visto quando vou ao mercado ou passear pelo parque municipal. Vesti-o e olhei meu reflexo no espelho. Eu era a típica garota parisiense. Magrinha, caladinha, simples, trabalhadora... Como eu disse, a típica garota parisiense. Abri meu armário e peguei meu cesto de vime. Tirei meu maiot, meus collants e minhas sapatilhas, acabando por colocá-los a todos dentro do cesto. Desci as escadas e fui até à cozinha onde encontrei Marrie, comendo uma torrada com doce de morango.

     - Bonjour, Marrie! - eu a cumprimentei com um sorriso nos lábios, abraçando ela.

     - Bonjour, soeur. - Marrie me abraçou também, me beijando o rosto.

     - Porque a menina está acordada a estas horas, tão cedo? - tirando a torrada da mão dela e lhe dando uma mordida.

     - Bem, eu gostaria imenso de ir à sua aula de ballet, irmã.

     A olhei em silêncio e sorri ainda mais. "Minha irmã quer vir à minha aula de ballet?" pensei comigo mesma "Que surpresa tão agradável.".

     - Quer mesmo vir comigo, Marrie?

     - Quero sim, irmã. - ela falou entusiasmada, dando pulinhos de contentamento - Aliás, eu nunca vi você dançar.

     - Bem, eu terei muito gosto em levar você comigo mas tem que me prometer que vai ficar em silêncio e que não vai interromper a aula por nada, está bem?

    Ela acenou com a cabeça, com um sorriso de orelha a orelha e deu uma volta por si mesma, fazendo seu vestidinho de noite fazer uma espécie de balão no ar.

     - Claro, mana. Vou agora me vestir, assim muito rapidinho e volto logo logo. - ela saiu da cozinha muito rapidamente e foi para o quarto.

     Eu fui até à bancada e fiz um café onde acabei por colocar um pouco de leite e açúcar, comendo um pequeno croisant com manteiga. Quando terminei de tomar o pequeno-almoço, pude ouvir minha irmã descer as escadas muito depressa e sorri ao ouvi-la abrir a porta do café.

     - Soeur, estou pronta! - ela gritou desde a porta.

     Não pude evitar sorrir. Peguei meu cesto de vime e escrevi um pequeno bilhete que deixei à porta do café para os meus pais, e nele escrevi:

    "Cher Papa et Maman,

     Fui para a aula de ballet e levei a pequena Marrie comigo. Não se preocupem.

     Un calin,

     Valentina"

    Então, eu e minha irmã saímos de casa. Para uma criança de doze anos de idade ela tinha imensa energia. Balançava os braços para a frente e para trás enquanto caminhava rapidamente na minha frente. Me perguntava se eu sabia fazer plies, pas de chat, pas de bourree... Todos esses passos de ballet que eu já tinha aprendido há muitos anos.

     - Soeur, é muito difícil, dançar ballet?

     - Mais ou menos. Quero dizer, o Papai sempre quis que eu começasse a dançar ballet quando eu tinha seis anos e não queria nada dançar aquele tipo de dança clássica e "apropriada" para uma menina... - eu fiz um gesto de aspas com os dedos indicadores - ... Mas depois... a Mamãe também quis eu dançasse ballet e eu aí já não pude dizer que não. As primeiras aulas foram difíceis, sim, mas depois a gente se habitua.

     Finalmente, chegámos a uma casa enorme e muito bem arranjada. A pintura não estava lascada, as janelas estavam todas bem limpas, o pequeno jardinzinho  de amores-perfeitos estava, como sempre, muito bem tratado... Tudo impecável. Calmamente, eu e minha irmã nos aproximamos da porta de madeira e batemos nela, as duas. Então, uma mulher alta, de cabelos cinzentos mas bem tratados abriu a porta e nos olhou de cima a baixo.

     - Bonjour, madame Blanche. Comment allez-vous? - eu a cumprimentei o mais educadamente possível.

     - Ça va, merci. - a senhora me respondeu sem sequer um sorriso esboçar - E quem é esta petite fille?

     - É minha irmã, madame Blanche. Se chama Marrie.

     - Bonjour, madame Blanche. - minha irmã sorriu e cumprimentou minha professora - Ma soeur me contou que a senhora é uma excelente professora e eu gostaria muito de assistir à sua aula.

     Clair Blanche era uma senhora já de cinquenta anos mas era uma bailarina excecional. Poucas eram as jovens que tinham a honra de aprender ballet com ela e uma dessas jovens era eu e, esperaria eu, minha irmã Marrie.

     - Bom, entrem, por favor. - ela nos disse, fazendo um sinal para a gente a seguir.

     Calmamente, eu e minha irmã limpámos os pés ao tapete que se encontrava debaixo de nossos pés e passámos pela porta de madeira. O chão debaixo dos nossos pés rangia e isso fez com que Marrie estremecesse um pouquinho.

     - Não toquem em nada. - ordenou a madame Blanche - Muita mobília que eu aqui tenho tem um século ou mais e são artefactos raros.

     E era verdade. A maioria da mobília que a senhora tinha em casa remontava de, provavelmente, há mais de um século e era tudo muitíssimo frágil.

     Finalmente, chegámos a um enorme salão com apenas uma mesa a um canto com um gira-discos em cima desta. Ao lado deste gira-discos havia uma pilha de seis discos de vinil de música clássica. Tchaikóvski, Bethoven, Mozart... Muitos artistas por mim conhecidos.

     - Hoje vamos dançar Le Lac des Cygnes. - disse Clair Blanche, fazendo um movimento para minha irmã se sentar num pequeno banco branco que se encontrava ao lado da mesa - Mon cher, por favor, pode pôr o gira-discos a tocar.

     E assim Márrie fez. Sentou-se no pequeno banco e, com enorme delicadeza, pegou na agulha e a poisou sobre o disco de vinil negro.

     - Mas madame Blanche, - disse eu, poisando minhas coisas - eu ainda nem sequer me vesti.

     - Então, se apresse e se vista, criança. - ela me ordenou, fazendo um suave sinal para minha irmã parar o disco, e ela assim o fez.

     Muito rapidamente, foi para trás do enorme biombo chinês que a senhora tinha lá na sala, vesti meu maiot, meus collants e calcei minhas sapatilhas. Logo a seguir, fui até à sala e me coloquei em posição de iniciação. Respirei fundo e a mulher fez, de novo, um sinal à minha irmã para que pusesse o disco a tocar.

     Le Lac des Cygnes, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, era a obra musical mais bonita que eu já alguma vez havia ouvido e dançado.

     As pontas de minhas sapatilhas de dança eram feitas de ferro, tal como todas as pontas das sapatilhas de todas as bailarinas deviam ser, e ao início magoavam muito as falanges dos dedos dos pés. Mas, enfim, a dor leva à perfeição, como costumava dizer minha mãe e madame Blanche. O som do violino gravado no disco parecia lançar uma espécie de feitiço no meu corpo, o que o levava a se mover graciosa e agilmente. Todos os movimentos que eu fazia foram-me ensinados pela minha professora e, se eu fizesse algum deles mal, eu levava um raspanete.

     - Costas direitas, fille Chevalier. - ela dizia, cruzando os braços sem parar de erguer o queixo e de me olhar - Costas direitas, je vous ai dit.

     - Oui, madame. - eu lhe respondi, endireitando minhas costas e olhando sempre em frente.

     Depois de duas horas a dançar, madame Blanche me mandou parar e desligou o gira-discos.

     - Fille Chevalier, o último passo que a menina fez... qual foi? - ela me perguntou, parecendo pouco ou nada agradada comigo.

     - Um tendu seguido de um jeté, madame Blanche. - respondi, suspirando.

     - Hum... - ela murmurou e ficou me olhando até dizer e sorrir - Acho que, esse ano, foi o melhor bailado que você alguma vez dançou, mon petit. Estou bastante orgulhosa de você, minha querida.

     - Merci, madame. - ela olhou para o relógio e sorriu ainda mais - Bom, foi um belíssimo bailado. Gostei imenso.

     Fiz uma pequena vénia, ainda em plié.

     - Mas agora vocês precisam se ir embora. Aliás, você já deve estar cansada, Valentina. - ela me beijou o rosto e apontou para o biombo - Agora, vá, vá-se vestir. Eu agora tenho de ir tomar chá uma amiga.

     - Oui, madame. - sorri, voltando a fazer uma vénia e indo para trás do biombo, para me mudar.

     Uns minutos depois, eu e Márrie nos despedimos da senhora Blanche, nos dirigindo à porta de casa.

     - Merci, madame Blanche. Je vous souhaite le reste d'une belle journée. - eu me despedi, com um sorriso nos lábios, abrindo a porta e deixando a Márrie sair primeiro, saindo eu depois - Então, irmãzinha, gostou?

     Márrie se virou para mim e me sorriu.

     - Ah, soeur, você dança tão bem. - ela me disse, fingindo fazer um plié.

     - Merci, querida Marrie. Ainda bem que gostou. - passei a mão pelos cabelos dela - Você é a melhor irmã que eu poderia desejar. Você me faz esquecer esses terríveis...

     Então, eu parei de falar e de andar. Engoli em seco. "O que eles estão fazendo aqui?"

     Ali estavam eles, Valentin e Klaus, a descer a rua na nossa direcção. Ao vê-los, Márrie se arrepiou e se escondeu atrás de mim. Eu logo parei de andar e respirei fundo, olhando para o chão. Então eles se aproximaram de nós e pude ver Klaus de aproximar de mim e tirar um chapéu do uniforme.

     - Gutten Morgen, mein lieber. - me cumprimentou Klaus, com um sorriso enorme nos lábios.

     - Gutten Morgen, Herr Klaus. -  eu o cumprimentei como jovem bem-educada que era - Gutten Morgen, Herr Valentin.

     - Gutten Morgen para você também. - disse o mais novo, olhando minha irmã, assim como Klaus.

     - Quem é esta menina tão linda? - sorriu Klaus, apontando para Márrie.

     - Esta menina, mon seigneur, é minha irmã Márrie. - eu a apresentei, pegando na mão de Márrie e a puxando para a minha esquerda para que eles a pudessem ver. 

     - É muito bonitinha. - disse Klaus com o sorriso mais sincero que eu alguma vez vira nos lábios de um alemão - Bonjour, pequena Márrie.

     - Bonjour, seigneur. - ela o cumprimentou sem sair detrás de mim.

     - É muito bem-educadinha a menina Márrie. É parecida com a menina, Valentina. - ele se riu, erguendo os olhos para mim - Então, de onde vêem as meninas?

     - Da aula de ballet, seigneur. - respondeu minha irmã, segurando minha mão com força.

     - Ah, ballet, muito bem. Bom, eu e o Valentin vamos agora para o quartel. Foi muito bom ver-vos, filles. - se despediu Klaus com um pequeno aceno - O resto de um bom dia. Valentina, Márrie.

     - Resto de uma bom dia também para o senhor. - dissemos em conjunto, olhando Valentin que, depois de Klaus passar pela gente, se aproximou de mim e beijou a bochecha, me fazendo corar.

     - O resto de um bom dia também para vocês. - ele se despediu e se foi embora

     Ao vê-los desaparecer na esquina lá do fundo, Márrie me abraçou e eu lhe acariciei os cabelos.

     - Soeur, eu não gosto deles.

     - Não se preocupe, querida Márrie. - eu sorri, abraçando-a também - Eles não são maus. São dois cavalheiros.


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