Aragon

Tempo estimado de leitura: 10 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 15

    A Primeira Batalha

    Álcool, Linguagem Imprópria, Spoiler, Violência

    Bem se vocês quiserem coloquem essa música para carregar, durante o cap eu coloquei quando deve ser solta. Tem duas versões, escolha a que vc mais gostar. XOXO

    Eu não sei se posso colocar links aqui (no spirit não pode por exemplo) mas no caso a música é: Coming Home - P Diddy (Boyce Avenue feat. DeStorm piano cover) ou Diddy - Dirty Money - Coming Home ft. Skylar Grey).

    Boa leitura.

    ~May PVO~

    Eu não estava acreditando em meus olhos, aquilo era mesmo real? Depois de tanto tempo. Quanto tempo mesmo? A sim, quatro anos, depois de quatro anos ela estava mesmo aqui?

    –Sim, eu sou real! – disse ela – Pode tocar se quiser.

    Ela estendeu a mão em minha direção, eu a olhei com certo receio, aquela pessoa parecia ser a Lucy, mas ao mesmo tempo não, estava muito diferente. E se fosse uma armação daquele homem? Havia um mago em sua gangue que podia se transformar, e se fosse um truque?

    Inconscientemente dei um passo para trás, ela fixou seu olhar em mim.

    Não vai me enganar. Não vai....

    –May.... – ela sussurra, e dá um passo em minha direção.

    Assustada eu vou para trás, algo se enrosca no meu pé e eu caio.

    Tudo fica embaçado por algum tempo, a única coisa que eu sentia era dor, dor no meu corpo, dor no meu peito, se eu pudesse ver a minha alma poderia jurar que estaria sangrando. Eu estava cansada de tudo, cansada de ver minha mãe na cama, cansada das ameaças daquele homem, cansada de ter saudades de Zack, cansada de viver, por que ela não me matava logo?

    Lágrimas quentes desceram dos meus olhos, em poucos segundos eu já estava soluçando. Não aguentava mais isso tudo.

    –May, por favor, se acalme. – diz uma voz desesperada. Seria a minha mãe? – May olhe para mim.

    Eu abro os olhos, minha visão estava embaçada por causa das lágrimas, mas era o suficiente para entender, a pessoa a minha frente não tinha olhos castanhos, e sim laranjas.

    –May, o que foi?

    Ela ou ele eu não sabia mais dizer, tocou o meu rosto e uma onda de choque percorreu todo o meu corpo. Seus olhos se arregalaram e ela paralisou na minha frente.

    Apalpei o chão em busca de algo, e meus dedos se fecharam em torno de algo frio, agarro o objeto com força e a golpeio no rosto com toda a minha raiva.

    –NÃO ME TOQUE!

    Tropeçando em meus próprios pés eu corri em direção ao quarto de minha mãe, estava quase alcançando quando ela surge em minha frente, eu parei rapidamente tentando retroceder, mas era tarde demais, ela agarrou meu ombro me jogando de encontro com a parede.

    Tudo aconteceu rapidamente, mas de algo eu tinha certeza, ela era forte. Mas não era isso que me apavorava, seus olhos, seus olhos brilhavam em fúria.

    Eu vou morrer. Eu pensei

    No instante seguinte senti uma dor no estômago, meus olhos encheram de lágrimas, e então eu apaguei.

    ~§~

    Eu sempre imaginei que antes de morrer, a nossa vida passava através de nossos olhos, cada coisa, cada detalhe, como aquele presente que você ganhou quando era pequena, mas que logo fora esquecido. Aquela pessoa que você conversou sobre alguma coisa na fila, e depois de sair da fila foi esquecida. Tudo era reprisado.

    Pelo menos nisso eu estava certa. Quando eu apaguei eu vi tudo, cada detalhe, cada sorriso, cada lágrima, minha mãe, meu pai. Quanto tempo se passou? Dias? Meses? Segundos? Eu não sabia.

    Só me lembro da última coisa que vi, algo que estremeceu minha existência.

    Olhos laranjas, aqueles olhos me olhavam fixamente, não deixando nenhum detalhe de fora, me olhava como se lesse a minha alma. Conforme eu observava eu percebia que não era só laranja, apareciam pontos azuis e amarelos conforme me observava.

    E então algo mudou, tudo congelou a minha volta, e lentamente começou a desabar, tudo estava partindo aos poucos, minha existência estava se esvaindo. Quando já estava quase acabando eu vi, íris brancas surgiram naqueles olhos, todo o resto começou a brilhar.

    E isso foi à última coisa que eu vi antes de cair para a escuridão. A luz colorida acompanhada por um rugido.

    ~¢~

    Algo quente estava no meu rosto, algo quente, grudento e molhado. Um pequeno gemido escapa dos meus lábios.

    Algo estava errado, onde eu estava? O que é essa sensação? O que aconteceu?

    Laranja.

    Era a única coisa que eu e lembrava.

    Aos poucos comecei a sentir meu corpo, estava sobre uma superfície macia e familiar, meu corpo estava quente, quente e pegajoso.

    Abro os olhos e vejo um mundo embaçado, tudo parecia longe demais, diferente demais, mas algo eu reconheci. Laranja. Olhos laranja.

    Olhei fixamente para os olhos, eles eram iguais aos que eu vi, exceto..... exceto pelo tom que parecia mais forte no sonho, pela íris branca que apareceu, o pequeno círculo branco que me arrepiou.

    Não são iguais. Eu percebi, os do sonho parecem mais fortes, mais sábios, mais assustadores e de algum modo mais familiares, eu já os havia visto antes, e não fora em um sonho, então aonde?

    –May? – a voz me chama.

    Não são iguais.

    –May! – a voz chama de novo, agora me dando um tapinha no braço, me livrando do transe – O que não é igual?

    Aturdida eu percebo que estava pensando em voz alta, presto atenção ao que acontecia ou meu redor, eu estava em uma cama quentinha, com meus cobertores, sentada ao meu lado estava aquela mulher de capa negra, mexo o meu corpo sentando na cama, nenhuma dor me incomodou, era como se nada tivesse acontecido, sentado em cima de mim estava um cachorro, este me olhava com expectativa, a língua para fora e o rabinho balançava.

    Deuses era mesmo o Zack?

    –Ele ficou com você o tempo todo. – disse a mulher. – Nunca te abandonou.

    –Isso é mesmo possível. – perguntei para mim mesma – Zack?

    Ele balançou o rabinho mais rápido, mas ficou parado onde estava, como se esperasse por mais alguma coisa.

    –Então se é o Zack mesmo você é....

    –Sim. Sou eu mesmo May. – disse ela se levantando e ficando na minha frente, ela estendeu uma das mãos e em sua palma tinha algo dourado. Uma chave. – Veja.

    Não apenas uma, mas dez chaves douradas. Chaves estelares. Eu não precisava tocar para saber que eram as verdadeiras, magia irradiava delas, uma magia pura, mesmo não sendo uma maga eu podia senti-la.

    –Lucy. – eu digo, ela sorri.

    –Eu acho que a espera acabou. – ela disse. – Seu amigo estava ansioso para que suas dúvidas acabassem. Talvez ele só queira um abraço.

    Com os olhos lacrimejando eu olho para o cachorro em meu colo. Ele ainda estava parado, esperando por algo, e eu sabia o que era.

    –Bem vindo de volta Zack.

    Depois que as palavras saíram de minha boca Zack deu um latido, joguei os cobertores para o lado e agarrei meu cachorro, compensando o tempo em que ficamos separados.

    ~¢~

    DEPOIS de muito chorar em cima de Zack, eu finalmente me acalmei, eu nem podia imaginar que tudo isso aconteceu. Era mesmo real, se passou tanto tempo que até parece um sonho, mas não dessa vez era tudo real. Para tudo ficar perfeito agora, minha mãe precisava acordar.

    –Desculpe por te dar trabalho Lucy. – eu disse enquanto servia um chá.

    –Desculpas aceitas. – ela responde.

    Arqueio as sobrancelhas, “Desculpas aceitas?!”, eu pensei que ela diria algo como “Não se preocupe. Eu fico feliz em ajudar”, geralmente minha intuição não falhava, isso era estranho.

    Me sento na mesa, eu precisava ficar frente a frente para fazer essa pergunta.

    –Como foram esses quatro anos?

    Ela sopra o chá, e não olha nos meus olhos quando responde:

    –Foram legais.

    Legais?

    –Só legais?

    –Foram produtivos.

    –E....?

    –O que quer que eu diga?

    Ela só pode estar brincando comigo, só pode mesmo, ela fica quatro anos fora, e quando volta, me diz isso? Afinal o que ela está escondendo?

    –Primeiramente gostaria que olhasse para mim enquanto eu falo com você, e depois quero que me dê uma resposta com mais de duas palavras.

    Ela olha para mim, e na hora desvio o olhar. Eles estavam diferentes, diferentes do que eu vi mais cedo.

    –Se foi para desviar o olhar quando eu olho para você, por que se deu o trabalho de me fazer olha-la?

    Engulo o seco, o que havia de errado com ela?

    –Olhe para mim May.

    Lentamente virei à cabeça em sua direção, e quando meus olhos encontraram os seus tudo parou, eles estavam mudando de cor, ficando mais escuros.

    –Então May diga-me tudo, tudo o que aconteceu nesses anos. – uma voz sussurrou dentro da minha cabeça.

    Era como uma prisão, você tentava sair de lá, lutava contra tudo, mas aos poucos se esquecia de quem você é, ficando preso em sua própria teia de sofrimento, sozinho, que aos poucos vai se destruindo, levando sua essência junto com ela.

    Aos poucos minhas piores lembranças vieram á tona, tudo, tudo o que eu queria esquecer, quando meu canário amanheceu morto, quando meu pai morreu, quando todos os meus “amigos” me abandonaram, quando Zack desapareceu, quando aquele homem apareceu, quando minha mãe adoeceu, e cada, toda a visita daquele homem, e tudo, tudo de ruim que já me aconteceu.

    Ao longe ouvi um ruído, algo tentava me puxar de volta, tentei segui-lo, mas no instante seguinte, se tornou apenas algo vago.

    E então sangue surgiu, o mundo estava banhado nele, todas as pessoas que eu conhecia estavam lá, e por um momento fiquei feliz por isso, todas as pessoas que me traíram, que zombaram de mim, que me humilharam, jaziam destruídas no chão.

    Não, eu não posso pensar nisso.

    Você acha que pode escapar?

    Pare eu não quero mais ver isso!

    Acha que pode escapar de quem você é Mitrad?

    Quem é você?

    Você não se lembra Mitrad? Você está feliz com essa existência insignificante? Lembre-se Mitrad, lembre-se e me encontre. Venha para o nosso lado, o lado vencedor.

    Uma forma brilhante surge, algo familiar, uma dor lancinante percorre o meu corpo, e então eu estava na cozinha novamente, olho para a minha mão, ela estava sangrando. No meu pé, Zack latia furiosamente, ele tinha me mordido.

    Encaro abismada o ferimento, Zack me mordeu, ele nunca tinha me mordido, e o que me deixava mais abismada era que eu estava feliz, era como se ele estivesse me salvado.

    Zack começa a rosnar furiosamente, para a mesa, olho para o lado e vejo um pano branco estendido em minha direção. Encaro a mulher que o estava segurando, eu estava com raiva dela, era como se ela fosse culpada pelo que aconteceu.

    –Para que isso? – eu sussurro.

    –Sua mão está sangrando, é melhor estancar o sangramento não acha?

    Pego o pano receosa, e o enrolo em minha mão, e tarde demais percebo que estou tremendo.

    –Está com medo de mim May?

    Olho para ela, para seus olhos nublados, totalmente frios. Ela não era mais a Lucy, não aquela que eu conheci, ou talvez, eu não tenha conhecido a Lucy verdadeira.

    –Sim eu estou com medo, mas acima de tudo eu estou com raiva.

    Observo seu rosto cuidadosamente, a única alteração que surgiu foi a confirmação de tudo, ela estava satisfeita. Levanto rapidamente, batendo os punhos na mesa.

    –O QUE DIABOS HÁ COM VOCÊ? QUE MERDA VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO? POR QUE ESTÁ AGINDO DESSE JEITO? VOCÊ ESTÁ NA MINHA CASA, SE ESQUECEU?

    –O que há comigo, talvez eu deva perguntar o que há com você May? – Lucy pergunta. – Ou talvez eu deva lembrar quem está em debito com quem aqui?

    –EU EM DÉBITO COM VOCÊ? HÁ, NÃO ME FAÇA RIR! VOCÊ DEMOROU QUATRO ANOS PARA TRAZER MEU CACHORRO DE VOLTA, POR QUE VOCÊ ESTÁ SE GABANDO? SÓ POR QUE GANHOU UM POUQUINHO DE PODER ESTÁ SE ACHANDO.

    –Se tem algo para dizer, diga logo.

    –QUER MESMO SABER?

    –Se você sente necessidade em gritar isso, então eu quero.

    –É ISSO QUE ME INCOMODA! SUA ATITUDE! ESTÁ AGINDO DE UM MODO INSUPORTAVELMENTE ARROGANTE! SUA ANTIGA GUILDA TINHA RAZÃO EM FAZER O QUE FIZERAM COM VOCÊ!

    Ela coloca a xícara na mesa antes mesmo de chegar á sua boca, eu havia conseguido mexer com ela, eu não sou de gritar, mas eu sabia que estava certa, o problema aqui é ela. Sim, com certeza é ela!

    –Sério você acha mesmo? – ela diz.

    –S-sim. – eu gaguejo.

    –Hum que pena. Sabe seria mais fácil se eu simplesmente te matasse. Menos estressante até. – ela anda em minha direção, ficando a centímetros de mim, e então completa. – Ou então eu poderia matar Zack ou sua mãe, o que acha? Será que eles me acham insuportavelmente arrogante a ponto de ligar para uma afronta?

    Ódio surge dentro de mim, como ela ousava ameaçar minha família desse jeito? Eu queria faze-la sofrer, queria vê-la sobre uma poça de sangue.

    Você pode. Juntos nós podemos.

    A corrente em meu pescoço agora pesava toneladas, segurei o pingente frio em minhas mãos, estava repleta de energia eu podia sentir, em um impulso eu acatei essa energia, deixei que ela passasse pelo meu corpo e a dispensei em apenas um golpe.

    Lucy deu um pulo para trás, e em um movimento do pulso ela corta o ar com uma espada, apavorada eu agarro mais forte o colar, em busca de mais energia, mas antes que eu pudesse fazer algo, ela corta a corrente do meu pescoço com a espada.

    –Me devolva isso. – eu gaguejo – Me devolva a corrente do meu pai.

    –Não. Vou considerar isso como o pagamento da missão, já que gastou o dinheiro da recompensa com remédios para a sua mãe.

    E então ela saí pela porta.

    Me desespero, mas isso é abafado quando tudo fica nublado, ao longe eu ouvi Zack latir, minha mão estava vermelha, tarde demais percebo que era sangue, sangue que esguichava do corte, e então tudo fica escuro.

    ~£~

    May acorde.

    Eu nunca liguei para você, foi por isso que eu fui embora, eu nunca quis você, eu queria poder, eu precisava de mais do que uma vidinha pacata no meio do mato. – sussurra um homem.

    Olho através da escuridão e vejo uma forma, um homem estava e pé e no chão estava uma garotinha, uma criança banhada em sangue com estranhos símbolos no corpo. A criança era eu, e o homem era meu pai.

    Lentamente ele se virou em minha direção, o rosto estava igual ao da fotografia, exceto pela expressão de escárnio, e seus olhos estavam negros, totalmente negros.

    E então tudo desapareceu.

    Acordei no chão da cozinha, já estava claro, Zack estava deitado ao meu lado e me olhava com curiosidade, lentamente me levanto, meu corpo todo doía. Pelo que me lembrava de quando desmaiei meu pescoço estava sangrando, coloco a mão sobre o local, havia algo lá.

    Corro para o banheiro e vejo meu reflexo no espelho, eu estava horrível, mas isso não importava, no meu pescoço havia uma cicatriz, um círculo com dois Dragões no centro. Era um símbolo, e parecia familiar, aonde eu o havia visto?

    ~¢ ~

    Me arrumo rapidamente, eu precisava comprar comida, junto as últimas joias do meu esconderijo, era o suficiente por hoje. Dou uma última checada na minha mãe, ela parecia melhor. Não sei, ela parecia mais corada, e respirava com menos dificuldade.

    –Volte logo para mim, mamãe. – eu digo – Eu preciso de você.

    E então eu saio.

    O caminho até a cidade estava vazio, nenhum humano passava por esse caminho, exceto eu e minha mãe, todos tinham medo dessa estrada, havia uma lenda antiga que dizia que aqui era o ponto de encontro entre humanos e demônios, é claro que isso era apenas uma lenda, mas mesmo assim as pessoas acreditavam.

    Quando as primeiras casas se tornaram visíveis percebi que algo estava errado, não havia ninguém lá, nenhuma criança brincava na rua, nenhuma mulher assava bolos, tudo estava vazio e silencioso, um arrepio percorre o meu corpo, e eu paro a meio passo, o que estava acontecendo?

    Começo a andar mais rapidamente, e a cada passo que eu dava algo crescia dentro de mim, mas eu não sabia o que era, e então uma sinueta surge na minha frente, imediatamente eu dou meia volta, mas havia alguém atrás também, em poucos minutos eu estava cercada.

    Eram as pessoas da cidade, todas as pessoas que eu conhecia estavam me cercando, e em suas mãos tinham armas, pedaços de madeira, barras de ferro, até frigideiras (!?).

    –Eu disse que ela viria. – disse alguém.

    –Sim. Agora só precisamos dar um fim nisso! – disse outra voz.

    Eles irão mata-la Mitrad. Faça sua escolha antes que seja tarde demais.

    –Não eles nunca farão isso. – eu sussurro.

    Você está cega Mitrad. Eles não são humanos, não tem compaixão, olhe para o rosto de cada um Mitrad, olhe.

    Faço o que a voz diz, no começo não vejo nada, mas aos poucos a imagem começa a tremeluzir, e o que eu vejo me faz gritar, nenhum deles é humano, todos são monstros, com presas, olhos totalmente negros.

    –SE AFASTEM, SE AFASTEM SEUS MONSTROS. – eu grito.

    –Você é o mostro. – eles gritam. – Você é responsável por tudo de mal que acontece por aqui.

    –SE AFASTEM.

    –DESAPAREÇA.

    –Se acalme May. – diz um homem me abraçando. – Nada vai acontecer com você.

    Paro de gritar, olho para o rosto do meu salvador, minha visão estava borrada, mas mesmo assim eu pude reconhecer a figura do meu pai. Foi nesse momento que tudo parou de fazer sentido, era como se ele nunca tivesse me deixado, e nesse instante o que não fazia sentido se tornou incompreensível.

    Fui puxada dos braços do meu pai.

    –Tire suas mãos imundas da minha filha.

    Aquele calor era familiar, nostálgico, abro meus olhos lentamente, eu estava nos braços de uma mulher, uma mulher com inquietantes olhos castanhos. Minha mãe.

    –Mamãe? – eu sussurro.

    –Sim minha querida. – ela diz – Eu voltei para você.

    Um pequeno sorriso surge em seus lábios, mas este rapidamente desaparece, sigo o olhar de minha mãe, ela estava encarando Filius Iniquitatis.

    –O que está acontecendo? – ele pergunta – Forasteiros precisam se identificar, quem é você?

    –OrasIniquitatis sabe bem quem eu sou. Sou Hana Kynussumi, mãe dessa garota que você estava tentando se aproveitar.

    Ele franziu o cenho e a avaliou de cima a baixo, minha mãe me segurou mais forte. E então Filius gargalhou.

    –HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. NÃO PENSE QUE PODE ME ENGANAR. RAPAZES NÃO É ENGRAÇADO?

    –Sim mestre. – todos responderam rindo.

    –O que é engraçado? Eu estava doente, mas minha filha cuidou de mim, e eu me recuperei, mas é claro não espero que você entenda o amor.

    –Você não pode ter se curado. – Filius sussurra – É impossível! A não ser...

    O silêncio preenche o ar, todos encaravam o homem á nossa frente, é claro ninguém ousaria contraria-lo, principalmente agora que ele parecia estar com raiva.

    –Peguem a garota. – ele finalmente diz.

    E pela centésima vez meu sangue gelou, seus subordinados deram um passo á frente, com sorrisos cruéis no rosto, minha mãe me abraçou mais forte, ela não tinha a intenção de deixar que eles me pegassem, mas como ela poderia me proteger, e qual seria o custo?

    –Que direito você tem de pegar a minha filha?- questiona minha mãe.

    –Com o direito de proteger a vila! – ele diz, em seu rosto estava a expressão mais sacana de todos.

    –Não me faça rir. – grita a minha mãe – Você não quer proteger a vila, você quer puni-la por algo que ela não fez, deixem- nos em paz, nós nunca mais iremos voltar aqui.

    –NÃO A DEIXEM IR! – grita uma voz na multidão.

    Era um homem velho, com uma barba grande, cabelos brancos, com um cajado na mão, ele vestia roupas de monje. O ancião Bob, sempre nos odiou, sempre que me via virava o rosto, me tratava como uma praga, é a culpa pela minha falta de amigos.

    –ELA É UM DEMÔNIO! UM DEMÔNIO QUE TROUXE A PRAGA PARA ESSA VILA! O PRÓPRIO PAI A TRANSFORMOU EM UM MONSTRO! DEVE SER ERRADICADA! MATEM-A APENAS SEU SANGUE SACIARÁ A SEDE DE SATÁNAS! (T.T)...

    E então ele caiu no chão. Sobre seu corpo estava um dos capangas de Filius.

    –Não preciso de seus discursos, velho! – diz Filius.

    –Então esse é Filius Iniquitatis. – diz uma voz conhecida – Eu já sabia que você era um canalha, mas bater em um velhinho, isso é algo que nem eu esperava.

    –Quem disse isso – gritam os capangas.

    Olho ao redor procurando pela voz, sem sucesso, todos estavam mais confusos do que eu.

    –Aqui em cima. – diz novamente a voz.

    No telhado de uma das casas estava uma figura negra, totalmente encapuzada, sentada no telhado e comendo torta?!

    –QUEM É VOCÊ? Identifique-se! – grita um capanga.

    –E por que eu deveria fazê-lo?

    –Está em terras sob o domínio do imperador Iniquitatis, identifique-se, ou seja, destruída!

    – Iniquitatis?? – a figura diz em tom de espanto – Me desculpe senhor imperador Iniquitatis.

    –Não há problema. – diz Filius – Apenas...

    –Me desculpe. – interrompe a mulher – Mas quem é você? Sabe nunca ouvi falar!

    –Como ousa? Falar assim com o senhor Filius!

    –Tudo bem Black. A culpa é minha. – diz Filius – Por não ter me apresentado, todos nós fomos rudes, talvez devêssemos dar a nossa convidada as boas vindas adequadas.

    –É chefe você tem toda razão! Que indelicadeza a minha. – responde Black.

    –Dê a nossa convidada a recepção que ela merece. – diz Filius.

    –Era por isso que eu estava esperando. – diz a encapuzada.

    KABOOOOMMM! (explosão)

    A casa na qual Lucy estava explodiu.

    Aquela idiota! Ela não percebeu o sorriso no rosto desse imbecil? E o tom nas vozes dos capangas?

    –Bem agora que o lixo já foi tirado, vamos continuar. Blake. – ordena Filius.

    Em um piscar de sou puxada dos braços de minha mãe, e no próximo instante estou me contorcendo nos braços de Filius, e ela estava desacordada no chão. Esse filho da mãe tinha nocauteado a minha mãe.

    –MÃE! MÃE!MÃE!

    –Ah esqueça esse lixo velho. – diz Filius. – Temos negócios para tratar May.

    –Eu não tenho nada para tratar com você seu sádico. – eu grito, e cuspo no rosto dele.

    Tarde demais percebo que não deveria ter feito isso, talvez ele só fosse me estuprar, mas agora ele estava com tanta raiva que era capaz de me estuprar, torturar e matar, tento me livrar dele, mas Filius agarra no meu pescoço me sufocando, tirando meus pés do chão.

    –Quem você pensa que é para fazer isso? Sua garota insolente!- ele grita

    –S-so-corro. – eu gaguejo

    –Para quem está pedindo ajuda? – ele pergunta me esnobando – Todos que estão aqui são meus subordinados, moradores da vila, que por acaso te odeiam, sua mamãe está desmaiada ali no chão e sua amiguinha encapuzada foi explodida, quem você espera que te salve?

    Eu sabia que ele tinha razão, ninguém viria por mim, ninguém dessa vila gostava de mim, minha mãe precisava de ajuda, e eu não fazia ideia do que esse homem queria.

    Eu estava acabada.

    Era isso que passava pela minha mente quando o primeiro homem caiu no chão.

    ~Lucy PVO~

    Algo estava errado com May, essa foi à primeira coisa que eu pude notar naquela noite, e não era só um trauma pelo que vinha acontecendo, mas algo muito mais obscuro. Quando ela me atacou percebi que seja o que fosse não podia continuar lá, eu tinha que fazer algo.

    Eu curei a mãe dela, não foi fácil, ela foi envenenada por magia, a magia quando bem treinada pode ser usada para grandes feitos, e infelizmente nem todos eram bons, foi o que Igneel me disse.

    Lamia Morbus (Doença do Vampiro). Sutil e fatal, o mago lança a magia sobre a vitima, e em pouco tempo esta começa a sentir os efeitos ela começa os nutrientes de seu corpo para se fortalecer, aos poucos a vitima fica desnutrida até que não há mais nutrientes no corpo dela, e então essa magia começa a se alimentar da energia vital, ela desmaia e nunca mais acorda, seus órgãos continuam funcionando por um tempo, e então eles vão á falência.

    Rápida e fatal. O único modo de reverter é a pessoa quem lançou suprimir essa magia, no entanto é um processo delicado se não for feito do modo certo pode levar a pessoa ao óbito, e mesmo se o processo for completo com sucesso pode haver sequelas.

    Enquanto May dormia eu pude ler suas emoções, e um nome resumia todo o mal que vinha acontecendo na vida dela: Filius Iniquitatis.

    “Filho da violência.” Podia até combinar com ele.

    Eu iria acabar com esse cara, mas antes precisava curar Hana, essa seria a primeira prova, se minha magia fosse mais forte que isso, então valeria a pena continuar em frente.

    A magia só poderia ser desfeita por Filius, mas é claro que eu não iria pedir: “Ah olá senhor panaca, você poderia desfazer a magia que lançou em Hana para que eu possa socar a sua cara?”. Então eu tinha que usar a magia dele, mas como? Eu senti a magia, como ela se projetava e depois de um tempo eu consegui clonar a magia dele. No raiar daquele dia eu consegui retirar a magia do corpo dela, mas ela estava fraca, não iria sobreviver, então eu fundi minha magia em seus órgãos vitais. Até que eles pudessem funcionar por si só, minha magia iria mantê-la viva. E assim a parte um foi completa.

    E então veio a parte dois, May, enquanto tomava chá com ela percebi que algo estava perturbando seus sentidos, algo em sua mente, eu a irritei de propósito e a resposta veio em pouco tempo, ela segurou naquele colar, e liberou uma grande quantidade de magia, magia demoníaca, misturada com um pouco de caos.

    Ai a pergunta veio, por que Caos estava atrás de May?

    Toda a história estava gravada no colar, o pai de May estava cansado da vida que tinha, a vida ensinou a ele que os que tem poder tem o mundo em seus pés, então resolveu buscar poder, ele tentou de tudo desde poções até magia negra, mas nada funcionou então em uma última tentativa ele invocou um demônio, mas seu pedido não foi atendido o poder que ele tanto queria só podia ser dado para alguém inocente e virtuoso, e então esse poder foi dado á May, e seu pai não viveu para contar a história, tudo o que sobrou foi uma lembrança, uma lembrança dentro de um colar.

    Ou vivia, pois agora uma marca foi colocada nesse objeto, uma marca para suprimir esse poder, uma marca que também foi posta em May, logo isso tudo vai acabar, mas eu não poderia fazer tudo sozinha.

    Filius afrouxou o aperto no pescoço de May quando eu derrubei o primeiro homem, eram todos iguais, homens grandes com roupas estranhas, burros e com o poder mágico razoável.

    –É só isso? – eu digo – Estou decepcionada.

    Todos os olhares caíram sobre mim, e por um instante todos congelaram, May puxava o pouco ar que conseguia, mas logo isto se tornou um feito impossível.

    –Lucy... – ela gemeu enquanto Filius tornava a apertar seu pescoço, e todo o ar abandonava o seu corpo.

    –Estão esperando o quê?- ele grita – ACABEM COM ELA!

    Um a um seus capangas vieram em minha direção, não olhei direito para eles, apenas vi que um tinha uma clava, outro usava magia área e todos os outros tinham magias elementares. Eu soquei a cara de um, chutei o amiguinho de outro, desviei de um patinho voador, e em seguida dei um soco no estômago do mago do fogo, em dois minutos todos os 15 capangas estavam no chão.

    Agora os únicos que estavam de pé eram Filius e um garoto que estava atrás dele. Este garoto tinha um poder mágico maior que os outros, mas havia algo mais, ele estava escondendo poder, não, não era isso, seu poder mágico estava sendo roubado, ele era muito poderoso.

    –Não pense que você pode ganhar de mim, só porque venceu esses incompetentes. – Diz Filius soltando May.

    Olho para o corpo que agora estava ano chão, e pego o garoto fazendo a mesma coisa, encarando-a com o que me parecia pena e remorso? Ele estava escondendo algo, mas pelo menos May estava viva.

    –Por que o seu amiguinho ali não luta? – eu pergunto jogando o verde.

    –Então percebeu que não pode me vencer? – diz Filius com escárnio – Espero que o pequeno Hirako possa te entreter.

    E então o garoto não estava mais lá, ele estava atrás de mim. Um grande poder mágico me atinge nas costas, e meu corpo voa colidindo contra uma casa.

    –Eletric Blaster. – ele sussurra.

    Magia perdida. Filius estava roubando o poder do garoto, eu tinha certeza, a magia dele era forte, mas estava incompleta. Nesse caso eu só preciso quebrar a ligação. Dou um pulo para cima, sando dos escombros, mas o garoto previu meus movimentos. Quando eu pulei um raio caiu do céu, desviei a tempo, quando o ataque atingiu o chão, ele explodiu e uma grande nuvem de poeira subiu, era a minha chance.

    –Speculum (espelho). – eu proclamo.

    A poeira se tornou uma nuvem de fumaça, e ele sabia usar isso ao seu favor, ocultando sua existência.

    Isso não é agradável. Eu penso, e enquanto coço o me nariz o primeiro ataque veio pela esquerda, e outro pela direita, desvio dos dois, e então ele estava na minha frente.

    –Eletric spanner. – ele diz, e a próxima coisa que eu senti foi seu punho me atravessando e descarregando eletricidade.

    Mas ainda não tinha acabado, seus olhos se arregalaram quando meu corpo desapareceu, se ele tivesse prestado mais atenção perceberia que aquele corpo era um clone, uma ilusão. No instante seguinte eu estava na sua frente, com uma mão em seus ombros e a outra em seu peito.

    –Quinto tetragrama. – eu sussurro olhando em seus olhos. – Kai.

    Cinco sigmas de luz saem dos meus dedos formando um circulo em seu peito, e então acabou.

    –Você está livre. – eu digo colocando seu corpo delicadamente no chão – Kaien Hirako.

    Deposito um beijo em sua testa e vou em direção á Filius.

    –Vergonhoso, roubando o poder do garoto.

    –O que?

    –Eu rompi a ligação, assim como curei a mãe de May, e....

    –ISSO NÃO PODE ACONTECER. – ele grita – ESSE PODER É SUPREMO! NÃO PODE SER VENCIDO E AINDA NÃO ACABOU.

    Um punhal carmesim surge em sua mão, e ele o enfia na barriga de May. Uma luz vermelha envolve os dois corpos, ele estava roubando o poder demoníaco que estava selado em May.Rīchi (sanguessuga), esse era o poder de Filius.

    –É magnifico! É UM DOS OBEJTOS DEMONICOS, UM PRESENTE DE LILITH DESCOBERTO PELO PRÓPRIO ZEREF! E AGORA ESSE PODER É MEU!

    Um grande quantidade de magia é jogada contra mim, e há uma grande explosão quando o punho dele me atinge.

    –MUAHAHAHAHAHAHA! ESSE É O PODER SUPREMO DOS DEMÔNIOS.

    Solto uma risada sem humor, enquanto aperto mais o punho que eu parei com uma mão.

    – O que Como você?

    –Se você tivesse me deixado terminar saberia que não pode roubar o poder de May, pois ela não o tem mais. – eu explico – Eu o destruí, mas você me ajudou a extrai-lo sem mata-la então eu não vou socar a sua cara.... não tão forte.

    –Não é possível.

    Eu encaro a figura a minha frente, ele era mais baixo que eu, sua pele era amarelada e ele andou pintado o cabelo, seu terno estava esfarrapado e sua alma era podre.

    –Por que não funciona? MEU PODER É SUPREMO!!!

    –Você é apenas um demônio. – eu respondo – E um demônio nunca irá superar Dragão. Yoru no hōkō (rugido do Dragão da noite).

    Uma grande quantidade de poder magico azul escuro rompe a minha boca, o atingindo em cheio, seu corpo saiu voando até s chocar contra uma casa que desabou com a força do impacto.

    Acho que exagerei. A destruição havia sendo grande, mas não havia nenhum civil machucado, todos os moradores foram para suas casas durante a luta. Boa escolha.

    –Matar...demônio. – eu ouço ao longe – Livrar a todos nós....

    Olho na direção da voz e lá estava aquele ancião Bob com aquela adaga demoníaca nas mãos, prestes a atingir o coração de May. No instante seguinte meu joelho estava no seu estômago.

    –Idiota! ISSO SERVE COMO AVISO! SE QUALQUER UM FIZER ALGO COM ESSA GAROTA OU COM SUA MÃE, VOCÊS NÃO VÃO PRECISAR SE PREOCUPAR COM SEUS FUTUROS, POIS VOCÊS NÃO TERÃO NENHUM! – Eu grito para os habitantes da vila.

    E dessa vez tenho certeza de que todos me ouviram.

    §.§

    Horas mais tarde.

    O céu estava brilhando novamente, os invasores da floresta foram erradicados, ela estava mais selvagem do que nunca. Logo após o ocorrido o conselho prendeu Filius Iniquitatis, e seus capangas, e a adaga foi confiscada.

    Hana e May estão bem, eu as levei para casa e cuidei delas, não era nada grave, quando acordassem iriam ter uma surpresa, e não seria só pela refeição que eu preparei.

    Ouço o barulho de folhas sendo esmagadas, ela chegou.

    –Lucy!!- May grita se jogando contra mim. –Que merda é aquela? – e continua – O que “ele” está fazendo na minha casa?

    Ela estava com o rosto vermelho e suado, veio correndo para cá e estava com raiva por causa da “surpresa”.

    –Hirako? – eu pergunto – Ele precisa se recuperar, eu deixei um bilhete.

    –Ah sim. – ela grita prosseguindo:

    “Hana e May.

    Fico feliz que estejam bem.

    O garoto no quarto se chama Hirako.

    Ele sofreu lesões mágicas e precisa se recuperar;

    Eu gostaria que vocês o ajudassem até ele ficar bom.

    Agradecida;

    Lucy. A. H. ”

    Um papel amassado caí ao lado da minha cabeça, era o meu bilhete.

    –Você leu.

    –VOCÊ LEU?! Que porra é essa? Eu quero saber por que diabos um dos homens de Filius está fazendo na minha casa! Era para ele estar preso.

    –Ele precisa se recuperar, Filius roubou seu poder por anos, seu corpo precisa se acostumar á nova condição para que ele possa acordar. – e acrescento – E eu despistei o conselho.

    –Por que você não o leva?

    –Ele poderia não sobreviver.

    –E por que você se importa?

    –Ele é diferente, não queria fazer aquilo.

    –Ele certamente queria algo, para fazer tudo aquilo...

    –Ele tinha um objetivo, é por isso que foi até o fim!

    –O que quer dizer?

    –Quando temos um objetivo fazemos tudo o que está em nossas mãos para alcança-lo, seja perder algo ou fazer qualquer coisa, sem exceção. – e acrescento – Assim como eu. Eu queria salvar sua família e eu o fiz, sem me importar com o que teria que fazer.

    –E se ele for mal, e se ele acordar e nos atacar.

    –Eu sentiria pela marca que pus em você, e viria salva-las.

    Ela coloca uma das mãos em seu pescoço, no lugar aonde a marca estava.

    –Nós Dragões e Dragon Slayers marcamos as pessoas importantes para nós, só para garantir.

    –Só para garantir... – ela repete – VOCÊ ME MARCOU IGUAL A UM GADO? – e começa a me socar – EU TENHO CARA DE VACA POR ACASO? SUA MALDITA! EU ESTOU FURIOSA!!

    –Eu sei que está!

    –CALA A BOCA! Você não faz de ideia de como eu estou furiosa!

    Seguro seus braços antes que ela possa me socar de novo e digo:

    –Mas é claro que eu sei. Primeiro: Você está me socando. Segundo: Você está berrando. Terceiro: Você veio correndo para cá para fazer as opções A e B, e em quarto: Você está em cima de mim!

    –Eu não estou.... ah estou sim. Foi mal. – ela se desculpa, e em seguida sai de cima de mim.

    Sentamos em silêncio durante vários minutos, observando a floresta que agora estava silenciosa, como naquela noite.

    –Você fez bons amigos. – May afirma.

    –Sim, eu fiz.

    Os minutos de silêncio permanecem até que eu esclareço sua duvida.

    –Aquele não era o seu poder. Seu verdadeiro poder está dentro de você.

    –Mas e se “aquilo” voltar?

    –Não vai, sua intuição não é algo que um demônio tenha. – eu digo soltando um risinho. – Mas se algum dia voltar saiba que o que você tem aqui dentro. - aponto para o seu coração – É mais forte que qualquer demônio.

    Ela vira em direção á floresta, isso foi melhor do que ela esperava, e então sorri para mim, até que ela percebe o que eu estou segurando.

    –Pegue-o. – eu digo.

    –Lucy o meu pai....?

    –Eu sei de tudo May. Mas eu prefiro que você descubra por si só. Tenho certeza que consegue.

    –Entendo. – ela simplesmente diz depois de pegar o colar de seu pai.

    Havia muitas coisas que eu poderia ter dito, mas nosso silêncio já disse tudo. Era a hora de ir embora.

    –Me desculpe por ter te atingido com uma barra de ferro. – May diz.

    Eu dou risada, ela estava mesmo preocupada com isso?

    –Tudo bem, eu te nocauteei, lembra? Estamos quites.

    –É acho que estamos.

    –Obrigada May. Diga tchau para Hana, e diga para que não se preocupe com Hirako, eles não vão acha-lo, ninguém vai.

    –Eu acredito em você.

    –Fico feliz. Adeus May.

    Enquanto me afastava percebi que o tempo estava mudando na floresta, o vento começava a se agitar em uma canção silenciosa. Ela estava se despedindo.

    –Adeus Mageméno Dásos (Floresta Encantada).

    Coloquei o meu capuz, e fui me afastando da floresta, até que ela se tornou apenas uma lembrança.

    ~¢~

    –LUCY. – alguém gritou ao longe. Era May.

    A estação de trem estava vazia, mas as poucas pessoas que lá estavam olharam em nossa direção. Eu não era fã de trens, mas era melhor que nada.

    May chegou até mim, ela estava com uma mala na mão. A minha mala de quatro anos atrás.

    –Você esqueceu. – ela disse arfando.

    –Ann obrigada May. – eu digo pegando a mala.

    O apito do trem soou, era a hora de ir.

    –Annn May....

    –Você tem para onde ir? – ela pergunta rapidamente.

    Ela estava preocupada com o que eu faria a seguir, que fofa, pego um panfleto do meu bolso e entrego á ela. May o analisa com uma ruga entre os olhos, e então começa a gargalhar.

    –Entendo, você vai para essa guilda!

    O apito do tem soa pela ultima vez.

    –Vá! – ela grita me empurrando em direção ao trem, eu enfio o panfleto em sua mão e a última coisa que eu digo é:

    –Fique com isso.

    E pelo seu sorriso acho que ela entendeu.

    ~₢~

    Coloquem a música. (se quiserem T.T)

    “I'm coming home, I'm coming home

    Tell the world I'm coming home

    Let the rain wash away

    All the pain of yesterday

    I know my kingdom awaits

    And they've forgiven my mistakes

    I'm coming home, I'm coming home

    Tell the world that I'm coming”

    A chuva fez o seu papel á Fiore, e nessa hora tive certeza que ela seria a minha eterna companheira, sempre comigo nos momentos importantes, nos difíceis e nos fáceis, nos difíceis principalmente. Sempre lá lavando minhas lágrimas. Agora faltava pouco logo eu estaria na cidade Gurē.

    É estranho sempre pensei que quando voltasse iria explodir algo, ou espancar alguém, mas eu não tinha vontade de fazê-lo.

    Não passei pela Fairy Tail, não queria, não valia o meu tempo. Ao invés disso quando a chuva parou, fui para o parque das sakuras.

    Procurei por uma certa árvore, e quando a encontrei constatei que ela estava como sempre, não mudou nada, exceto pelas folhas que agora caiam silenciosamente ao chão. Solitárias.

    Fiquei lá parada apenas olhando, até que a chuva voltou.

    Era mesmo a minha companheira.

    Deito debaixo da árvore, sentindo suas flores caírem sobre mim, junto com a chuva. Silenciosas e solitárias, como eu.

    Minhas companheiras. Sempre estiveram aqui para se misturar as minhas lágrimas, como agora.

    ~*~

    Abro os olhos confusa, estava escuro, a chuva havia parado. Fico surpresa ao constatar que eu ainda estava deitada na árvore de sakuras, eu havia dormido.

    –São poucas as pessoas que vem até aqui nessa época. – alguém diz.

    Sento rapidamente, atordoada, verificando a espada na bainha. Aragon estava lá.

    –Tem sakuras no seu cabelo. – a voz diz novamente.

    Automaticamente levo a mão á cabeça, meu capuz tinha caído, e meu cabelo estava molhado e cheio de sakuras, na verdade todo o meu corpo estava.

    –Vai pegar um resfriado. – repreende a voz.

    –Não vou, não se preocupe. – eu respondo.

    Já fui atingida por raios, pedras, fui socada, chutada, arrastada.... um resfriado não era um problema. A voz vinha de uma pequena sinueta do outro lado da árvore.

    É um velho interessante. Diz Yue. Ele pode nos sentir.

    E ela tinha razão, a intensidade do poder desse homem, eu nunca senti algo assim em outro humano.

    –Isso tem um cheiro bom. – ele diz fazendo o som de respiração – Quer cheirar?

    Um pequeno pedaço de tecido cai do meu lado, curiosa cutuco com um graveto, e fico surpresa com o que encontro. Era uma das minhas antigas calcinhas, minha bolsa estava aberta.

    –Seu velho tarado! Não mexa nas coisas dos outros assim!

    –Não é minha culpa, ninguém mandou você ficar com esses peitões perto do meu território. – ele responde.

    Esse cara é dos meus. Diz Taiyo.

    E eu começo a rir, o que parece irritar o senhor?

    –Do que está rindo? – ele pergunta de mal humor.

    –Não é nada velhote!

    –Velhote? O que você disse sua estranha?

    Fico calada com essa, faz tempo que não ouço isso de um humano, deito novamente sobre as sakuras observando o céu, como pode, tudo mudou, mas nada parece diferente. O mesmo céu, a mesma sensação.

    –Nada mudou. – eu digo.

    –Tudo mudou. – diz o velho – É inevitável.

    –Mas de agora em diante tudo será diferente. – eu completo – Não é mestre?

    –Sim, tem razão. – responde o mestre sorridente – É bom te ver minha filha.


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!