Samurai Eternamente

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    Capítulos:

    Capítulo 32

    Mundo interior, difícil escolha

    Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Capítulo 32: Mundo interior, difícil escolha

    - Hellt você me protegeu esse tempo todo agora sou eu que vou te proteger, aquele policial não vai te pegar porque eu não vou deixar! – Hellt escutara essas palavras agora pouco, ele escutava, sentia, cheirava, mas não conseguia se levantar, não conseguia acordar.

    “Onde estou?” o jovem mestre se pergunta andando por um lugar escuro e com nevoeiro, não dava pra ver nem o início e nem o fim, era a atmosfera mais sinistra que Hellt já vira.

    “O que foi isso? Eu senti, a terra se mexeu... E o poder... O poder é tão intenso que posso senti-lo de longe! Antony, Tay, eu tenho que ajudá-los... Mas primeiro onde eu estou?” Célio sabia que seu aluno e seu amigo de infância estavam enfrentando o executor, ele sabia através das forças que sentia que eles estavam numa batalha de vida ou morte.

    - A que ponto você chegou não é? Que consequências você está disposto a pagar garoto... – uma voz feminina chega aos ouvidos de Célio, a silhueta vai se formando na névoa.

    - Quem é você moça? – o mestre fala observando aquela bela jovem de traços indígenas, cabelos pretos longos e lisos, pele morena e olhos negros, vestia-se com uma espécie de colete preto com um decote comportado, calças largas vermelhas e sandálias, faixas estavam enroladas do joelho até seus pés.

    - Não me reconhece? Já esperava... Escuta Célio, isso ao seu redor é o seu “eu” interior, é o seu mundo, onde sua mente se encontra com sua alma e espírito, é o limiar da sua vida garoto... – a mulher responde séria.

    - Essa desolação sou “eu”?! Meu “eu” interior é assim?! – o jovem se perguntava.

    - É o reflexo de seu desespero, você quer desesperadamente salvar seus discípulos e proteger o Olho das Eras de Alaster, essa desolação é a sua desolação momentânea. – a resposta da garota.

    - Faz sentido... Mas eu ainda não sei quem é você, é minha consciência talvez? – Hellt pergunta novamente.

    - Não seu moleque irresponsável e idiota! Sou eu Farfinir! – a face de Hellt chega a mudar de forma de tanta surpresa. – Você se esqueceu das primeiras e mais básicas aulas sobre os espíritos guardiões? Com exceção dos criadores todos os espíritos foram seres humanos um dia...

    - Pois é, mas ninguém me disse que você era uma gost... Uma moça bonita... – Hellt responde com um sorriso infantil.

    - Você é tão... Tão... Tão bobo! É até difícil definir... – a garota responde. – Escuta, você ainda deseja salvar seu discípulo e seu amigo correto? – o jovem responde positivamente. – Você deseja recuperar seu poder não é?

    - Mais que querer Farfinir, eu preciso! Eu preciso desse poder para vencer aquele executor... Antony e Tay podem morrer enfrentando aquele samurai!

    - Saiba então que, para pegar seu poder de volta primeiro você terá que me vencer! Me derrote e encontrará sua força logo a frente. – a garota responde.

    - Mas... Por que você quer me enfrentar Farfinir? – o jovem fala espantado.

    - Porque no fim o que nós desejamos é igual. – ela fala ao mesmo tempo em que uma grande espada surge em meio a chamas em suas mãos, a mesma lâmina grande, larga, com dois gumes e com detalhes em vermelho e laranja que Hellt usa em seu modo de sincronia máxima.

    - Fudeu! – Célio falou surpreso, subitamente, a sua cintura, uma katana aparece, ele a desembainha e se põe em posição de luta. – Se não há outra forma então que seja... – ao fim daquelas palavras foi atacado, como num flash a jovem aparece a frente dele golpeando com sua espada num corte descendo, Hellt se defende no instinto, porém o golpe o afasta com violência.

    “Essa espada de fogo era minha, como vou lutar contra isso?” Hellt se perguntava em seus pensamentos ao mesmo tempo em que era novamente golpeado, dessa vez o jovem teve tempo de reação melhor, quando a moça subiu num corte o jovem desceu também golpeando. As lâminas se chocam e várias chamas se espalham pelo local.

    “De novo não!” Hellt pensa, ainda golpeando, ao ver sua lâmina trincando.

    - É essa sua determinação? Sua espada se quebra porque sua vontade é fraca... Onde está todo aquele desejo de lutar pelos seus irmãos? – Farfinir fala forçando mais sua espada, a lâmina de seu adversário é destruída e ela o golpeia no peito furiosamente, o sangue jorra e se espalha com as labaredas. – Não é o suficiente, pare de tentar, aceite que não pode vencer, aceite a vontade de Alaster, aceite a derrota para o executor... – aquelas palavras soavam muito forte aos ouvidos de Célio que estava caído de bruços, talvez fosse mesmo direito que ele aceitasse, afinal a derrota fazia parte da vida, entretanto a pausa que Farfinir fizera terminou, ela disse: - ... Aceite a morte de seus irmãos.

    Irmãos? Farfinir estava mesmo falando dos discípulos e de Tay? Sim, é obvio, visto que Hellt só se refere a eles dessa forma... Até aquele instante as palavras só pareciam direcionadas a ele, contudo aqueles últimos dizeres fizeram o jovem se lembrar pelo quê havia lutado desde o dia que pegara o Olho das Eras, ele lutava pelo futuro, queria garantir que o mundo seria melhor para seus discípulos, queria garantir uma era em que Daniel e Antony poderiam sair tranquilamente para comer, em que Jun poderia namorar qualquer garota sem ser julgado, em que Evellin pudesse andar tranquilamente pelas ruas e em que Tay talvez pudesse se casar com Alexandra. Desistir agora era abdicar desse futuro, era aceitar o mundo que Alaster quer, desistir, em outras palavras, é matar as pessoas que mais deseja proteger e isso sim é inaceitável para ele.

    - Eu não vou perder aqui Farfinir, eu preciso de meu poder! – Hellt fala se levantando, seu sangue sumia em meio às chamas que saiam de seu corpo, sua katana destruída começa a queimar e tomar a forma da grande espada que ele usa quando em sincronia máxima.

    -... – a moça nada diz, ela só ergue sua espada sentido ao jovem, ele some e aparece à frente dela, começam a trocar inúmeras espadadas, as chamas impressionam.

    Farfinir aproveita uma possível distração e desfere uma estocada no peito, Hellt se defende e movimenta sua espada para abrir a defesa da jovem, ele golpeia com um corte sentido anti-horário, Farfinir parecia que seria atingida, no entanto ela some e aparece afastada dele.

    - Eu vou te vencer Farfinir, eu preciso! – o jovem mestre fala observando sua adversária, a moça vê o sangue descendo por sua face, ela nem havia percebido o corte que se abrira em seu supercílio.

    - Não vou deixar que você vença, é minha obrigação... – ela fala girando sua espada no eixo de seu braço direito, ao mesmo tempo em que girava chamas iam cobrindo a arma. – Lâmina do dragão vermelho. – falou calmamente.

    - LÂMINA DO DRAGÃO VERMELHO! – Hellt grita e sua arma também é tomada pelo fogo, ambos adversários partem um pra cima do outro, as lâminas das armas se chocam, a onda liberada dissipa completamente o nevoeiro, um grande pilar de fogo sobe aos ceus.

    - Não vai me vencer com meu golpe Farfinir! – o jovem fala tentando forçar sua arma.

    - Esse golpe nunca foi seu! – ela retruca, começa a forçar muito sua espada, começa a pressioná-lo, a lâmina da espada dela começa a chegar perto demais do rosto dele, a própria lâmina de Hellt começa a cortar seu peito graças à força e a pressão da moça. Subitamente ele começa a enxergar o rosto das pessoas que considera como irmãos, via os sorrisos de seus discípulos e de Tay, via o momento em que conheceu todos e os momentos que passaram, essas lembranças lhe deram força, de repente ele começa a forçar a moça de volta, foi empurrando e pressionando a sua espada contra a espada de Farfinir.

    - EU NÃO VOU PERDER! – com um grito ele usa o máximo de sua força, a espada de Farfinir é arremessada, mas ela consegue se desviar do golpe certeiro.

    - Quanta força...! – ela fala surpresa, subitamente ela vê Hellt investindo contra si, ela sente a lâmina atravessar seu corpo a altura do abdômen.

    - Por que você fez isso Farfinir? Por que me fez lutar contra você? Por quê? – fala com lágrimas nos olhos.

    - Porque eu precisava... Você é como um filho adolescente, não obedece, faz o que bem entende e quando bem entende, sempre se mete em confusão, mas como deixar de amar um filho? – ela fala cuspindo sangue e passando sua mão direita na face dele. – Quando eu disse que desejávamos a mesma coisa é porque queríamos salvar quem amamos, você seus irmãos, eu você... Seu poder está logo atrás de mim, na verdade todo o meu poder, você pode pegá-lo, mas tenha certeza de que se o fizer com certeza morrerá. – o jovem ouvia tudo aquilo sem nada dizer. – Você usou poder demais daquela vez que lutou contra Alaster e seu corpo precisava se recuperar, isso não aconteceu, se você receber todo o meu poder de uma vez seu corpo não aguentará...

    - Você quer me alertar antes que eu faça a escolha? – Hellt pergunta.

    - Óbvio, você se lembra do Antony? Se lembra do caos que foi quando seu espírito lhe cedeu poder sem ele ter o corpo necessário para recebê-lo? Vai ser muito mais intenso, é certeza que morrerá... Pode ser hoje, amanhã, daqui a um mês ou daqui a um ano, o fato é: você morrerá.

    - Então minha escolha é fácil, atualmente eu não sei que dia vou morrer, se eu pegar meu poder de volta continuarei sem saber sobre isso. – o jovem fala com um largo sorriso. – Muito obrigado por se importar tanto comigo Farfinir, eu não mereço você como minha guardiã. – fala passando a mão no rosto dela, em seguida ele começa a caminhar pra sua frente, ele seguia até o desejado poder.

    - Como sempre não adianta eu falar nada com você. – a jovem fala sorrindo e começa a desaparecer.

    O jovem mestre andava reto, seguia o caminho que seu espírito o indicara, começou a ver uma esfera reluzente coberta de chamas, pensava: “se eu usar todo o poder de uma vez meu corpo vai virar cinzas, tenho que dosar o máximo que eu puder, vou receber tudo de uma vez, mas não usar, será que consigo?” agora estava à frente da esfera, ele ergue suas duas mãos e as coloca nela, as chamas começam a tomar conta de seu corpo.

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    - Preciso te matar antes do outro, senão você dará um jeito de defendê-lo. – o policial fala erguendo sua espada chicote.

    - ANTONY! Merda, eu tenho que ajudar ele, eu preciso... – o loiro fala todo ensaguentado erguendo sua mão sentido ao seu companheiro.

    - Adeus garoto... – foram as palavras do executor antes de descer sua arma. Antony fechou seus olhos de medo, Tay gritava desesperadamente, a realidade parecia cruel, não havia mais o que fazer, a morte era certa para o garotinho, até que um calor intenso foi sentido por Charles, ele se afasta.

    - Você voltou. – Grojan fala ao observar a forma de Farfinir em meio às chamas, abaixo dele Hellt segurava Antony.

    - Você não vai machucar mais meu discípulo! – palavras decididas de Hellt, sua feição era séria e ele parecia mais que determinado.


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