Six Doors

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    16
    Capítulos:

    Capítulo 1

    Os sentimentos de Shaka!

    Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo

    ***O personagem principal dessa fica será o Shaka. Ele, por conta dos acontecimentos, estará meio OCC e como ainda não sei com quem ele ficará no final, acho que vou fazer uma pequena votação.

    ***Espero que gostem!

    ***Capitulo não betado!

    ***Boa leitura!

    Os sentimentos de Shaka.

    “Se todos os sentimentos fossem correspondidos, o ser humano se acomodaria e não saberia seguir adiante”.

    Estava com a face corada e os lábios entreabertos, gotas de suor escorriam pelas laterais de seu rosto alvo. Deixou que sua armadura escorregasse e encontrasse o chão de mármore da sexta casa. Finalmente, havia chegado ao santuário.

    Como sempre, aquele lugar se encontrava quente! O calor exorbitante esquentava lhe o corpo e o sol escaldante, ao qual foi exposto minutos atrás, queimou um pouco sua pele. Mas tudo bem, era algo que poderia ser resolvido com um bom banho e um pouco de hidratante.

    Depois de guardar sua armadura onde de fato era o lugar dela, encaminhou-se ao banheiro, tomou um relaxante banho de água gelada, depois, vestiu-se da cintura para baixo.

    Sentiu a presença de alguém na entrada de sua casa, logo reconheceu a voz de seu amigo Mú. O ariano que, alguns minutos atrás — quando chegara ao pé da escadaria zodiacal — havia lhe dado boas vindas, agora, encontrava-se presente em sua casa. Provavelmente para cumprirem um ritual que faziam sempre.

    Tomar um pouco de chá e conversarem amenidades!

    Para Shaka, Mú era bem mais que um bom amigo! Alguém em quem virginiano confiava plenamente e detinha um sentimento diferente. No entanto, o ariano tinha um pequeno defeito, era muito distraído. O defensor da primeira casa não notava, ou melhor, não entendia — ou fingia não entender - que o virginiano sentia uma atração diferenciada por sua pessoa. Talvez fosse porque as indiretas do loiro sempre eram sutis. Não queria perder a amizade tão estimada, e por isso, o virginiano se contentava com isso... Em serem somente amigos.

    Depois de prepara um chá de alecrim, Shaka convidou Mú para sentar-se com ele nos fundos da casa de virgem. De lá, poderiam ver quem passava e por manter certa distancia, era um lugar “confiável” para um conversa.

    — Shaka, tenho algo para te contar... — ditou o ariano com um sorriso bobo nos lábios, as bochechas languidas estavam um pouco coradas.

    O virginiano mesmo estranhando o jeito acanhado do amigo, manteve-se imparcial. Colocou chá nas duas xícaras, deteve uma em suas mãos e entregou a outra ao amigo.

    — Pela expressão que estou vendo em seu rosto, deve ser algo bem... Interessante!

    — Não tem nada de interessante! — volveu Mú segurando a xícara com ambas as mãos — mais sim de muito... excitante! Ao menos é a palavra que se aproxima do que estou sentido.

    — Excitante...?! — Shaka pôs sua xícara em cima da mesinha de centro — e o que exatamente está sendo excitante para você meu amigo? - Interessou-se o virginiano.

    Era a primeira vez que via Mú com aquela expressão envergonhada no rosto, um tom rosado que mesclava sua pele de forma simplesmente adorável.

    — Kanon... — um sorriso encabulado adornou a face já escarlate do amigo, os lábios passaram a serem comprimidos com força, Mú parecia que estava queimando em febre. Logo a xícara passou a tremer na mão do ariano — ele me beijou.

    O indiano arregalou os olhos com o que o amigo dissera. Uma pontada forte assolou seu intimo e algo ruim estalou-se em seu estomago. Tudo ao redor parecia desfocado e o desespero causou-lhe um interno tremor irrevogável.

    Passaram alguns minutos em silencio e, depois de engolir seco, varia vezes, Shaka tomou coragem e indagou.

    — E... Você...?

    — Correspondi...! — Mú sentiu-se extremamente quente ao falar sobre aquilo com Shaka. Confiava no indiano, afinal, eram amigos desde pequenos e, mesmo Kanon pedindo-lhe segredo temporariamente, não podia deixar de contar ao virginiano.

    — Mú, você...

    — Sempre senti algo por ele! — respondeu antes de o amigo terminar de falar — algo que eu nunca soube explicar, mais que sempre esteve aqui dentro — afirmou apontando para o peito.

    — Entendo! — volveu em um sorriso fraco.

    Mú notou que o amigo não havia ficado muito bem com a noticia e por isso perguntou.

    — Não aprova meu relacionamento com Kanon?

    — Não é que eu não aprove... Só acho que foi repentino.

    — Entendo!

    — Além do mais, se eu disser que não gostei nada dessa noticia, você vai acabar com esse “relacionamento”?

    — Não! — respondeu prontamente.

    — Então? Porque tenho que falar algo, se não vai adiantar de nada?

    — Sei lá Shaka. — o tibetano colocou a xícara sobre a mesinha. — você é meu melhor amigo, alguém em quem confio e conto todos os meus segredos. No entanto, parece que você não gostou do que lhe falei.

    — Não é isso Mú! Desculpe-me se eu te passei uma impressão errada sobre o que senti. Fico muito feliz com o que está acontecendo com você e te desejo toda a felicidade do mundo.

    O ariano sorriu. Ter o consentimento de seu amigo em sua relação com o geminiano mais novo era a melhor coisa — depois do pedido de namoro — que lhe acontecia.

    Depois de conversarem um pouco mais, Mú resolveu voltar para sua casa. Estavam em tempos de paz, entretanto, não podia se dá ao luxo de deixar a casa de Áries sozinha por muito tempo.

    Algumas semanas depois, Shaka passou sentir o peso do namoro do amigo. Mú, de certo modo, já não era mais o mesmo. As conversas ficaram escassas e a forte amizade de outrora, perdeu sua força. Mú dividia seu tempo entre o namorado e o treino. O virginiano ate tentou falar com amigo, mas, entre ele e Kanon, de longe ficava claro a quem o ariano prestigiava mais.

    O indiano — após se sentir trocado - decidiu não mais correr atrás do ariano. Se Mú queria jogar fora anos de amizade por causa de um amor repentino, pois que fizesse bom proveito do que Kanon queria, e iria, lhe dar. Deixaria seu tão estimado amigo ser feliz.

    Todavia, isso não impediu que ficasse um pouco... Azedo!

    &&&&

    Os cavaleiros de ouro foram reunidos na arena para um treino coletivo. O treinamento consistia em reafirma a união escassa e trincada que a guerra e as muitas missões começavam a deixar entre os cavaleiros.

    Nesse pequeno “encontro” na arena, todos seriam parceiros de todos.

    De longe Shaka avistou os cavaleiros que já estavam na arena. Não apreciava treinar sob o sol escaldante da Grécia, preferia meditar a estar ali, com o sol a queimar lhe a pele, no entanto, o grande mestre havia sido bem explicito em sua ordem. Como não queria ser o único a ser “castigado” juntou-se aos companheiros.

    Ele não era o único que não apreciava um treinamento tortuoso como aquele, entretanto, era o que mais estava sem paciência. Havia, mesmo sem querer, machucado Camus e Aiolia e quase mandado Saga para um de seus seis mundos.

    — O que há com você, Shaka? — Milo, que havia ficado muito irritado com o loiro, atreveu-se a perguntar. Sempre nutriu certa admiração pelo virginiano. Achava-o uma pessoa extremamente inteligente e compenetrada, no entanto, ultimamente, o indiano andava bastante taciturno e com pouca paciência.

    — Desculpe-me, acho que não estou em condições de prosseguir com esse treino! — falou, extremamente intimidado com a postura do escorpiano. Milo tinha seus braços cruzados a altura do peito e o olhar zangado.

    — Ele deve estar cansado — Mú o defendeu — tivemos muitas missões nos últimos messes. Ate o grande mestre está preocupado conosco. Com nosso comportamento e por isso nos mandou fazer esse treino.

    Milo abriu a boca para dizer que também estava cansado. Que também sentia o peso que os tempos de guerra refletiam nos tempo paz. E que, no entanto, não saia machucando os colegas.

    Shaka olhou vazio para o semblante do ariano. Um nó apertou sua garganta. Não era o cansaço o real motivo de ter machucado seus colegas, mesmo sem querer. Era para ser um amistoso treino, todavia, sua concentração estava sendo devastada pelo casal “sensação” do momento.

    Desde que Kanon e Mú haviam assumido, em publico, o relacionamento que tinham, suas ações se mostravam diferente tanto para com o mais novo como para com os outros colegas.

    — Perdoem-me! — Shaka pediu mais uma vez — acho que, depois desses ocorridos, vou preferir ajudar o grande mestre. Com licença!

    Shaka saiu caminhando arena afora. Muitos olhares o olhavam abismado, afinal, nunca haviam visto o homem mais próximo de Deus tão desestabilizado.

    Os cavaleiros tinham Shaka como um homem sábio e integro. Mesmo que isso o deixasse arrogante e cheio de si em muitas ocasiões.

    — Será que aconteceu alguma coisa? — Afrodite perguntou sem esperar por resposta. Sabia que todos ali estavam com a mesma pergunta.

    Todos se olharam e ergueram os ombros, falando muda mente que também não sabiam o motivo de tal comportamento.

    — Vou falar com ele — prontificou-se Aiolia, levando-se com um pouco dificuldade. Shaka havia o ferido na perna.

    — Acho que ele quer ficar sozinho! Aiolia. — comentou Camus com a mão no estomago. O virginiano tinha-o acertado em cheio.

    — Ninguém quer ficar sozinho pinguim. — volveu o leonino sorrindo divertido.

    — Muito adulto você, gatinho. — o aquariano rosnou de volta.

    — Isso eu não aceito. — Milo aferrou birrento. Camus e Aiolia o olharam com cenho franzido — não quero que meu namorado chame outro homem de gatinho.

    Aiolia gargalhou diante das palavras do amigo e Camus revirou os olhos.

    — Aceite peçonha, eu sou um gatinho! — disse o grego, passou o braço no ombro do amigo e sorrindo de forma jocosa ditou — ate seu namorado consegue ver isso.

    — Que apanhar Aiolia? — perguntou Milo com os punhos fechado.

    Aiolia ergueu as mãos ao ar em sinal de paz.

    — Não se preocupe, namorado de amigo meu pra mim é homem! — falou caminhando em direção à saída da arena.

    Milo pôs uma mão na cintura e outra no queixo, franziu o cenho e pôs-se a pensar. Ao ver a face compenetrada do escorpiano, Camus intrigou-se.

    — O que houve?

    — Não senti segurança nas palavras do Aiolia! – volveu o escorpiano, ainda com o cenho franzido.

    — Por quê? — o aquariano ergueu uma sobrancelha.

    — Por que, assim como eu, Aiolia é bissexual! — respondeu, sem pensar direito no que estava afirmando.

    — Assim como você Milo?! — o ruivo ralhou. Milo olhou-lhe com um olhar sapeca. Era certo que, antes do amante o aceitar como namorado, além de sair com outros homens, também saía com mulheres — além do mais, se não sentiu segurança nas palavras de Aiolia, sinta nas minhas — o aquariano tocou o rosto do maior — eu amo você, Milo! — ditou e o beijou.

    Um beijo suave e cheio de amor transbordado de um misto de carinho e ternura, acalmando assim o belicoso escorpiano.

    — Nooosssa... — Afrodite pôs as mãos no rosto — também quero esse tipo de treinamento! — Camus e Milo afastaram-se sem graça.

    Com uma expressão muito zangada, Saga se aproximou do sueco e lhe deu uma tapa na cabeça. Os olhos azuis piscina encherem-se d’agua.

    — Deixa de ser retardo Afrodite! — ralhou o geminiano.

    — Por que não posso? — indagou o loiro, de forma pueril, massageando o lugar acertado. Os cavaleiros que haviam ficado na arena riram da cena.

    A paz havia voltado ao santuário, e eles, os cavaleiros da Deusa Athena se sentiam bem daquela forma. Notaram que, não precisar lutar e não estarem sob ameaças constantemente, era algo bom. E que poderiam viver assim.

    &&&&

    Shaka subia as escadarias com certa pressa. Seu rosto estava afogueado, tanto pelo calor como pela raiva que sentia de sua pessoa por não conseguir se controlar.

    Havia machucado dois amigos e quase matado um terceiro. Se o golpe tivesse acertado o geminiano em cheio, com certeza, o mesmo teria morrido, ou no mínimo, ficado bastante ferido.

    Ver Kanon e Mú juntos era um teste pesado para seus nervos. Ele, o tão controlado Shaka... o homem mais próximo de Deus, não tinha nenhum controle quando o assunto era o romance do seu amigo e, isso o martirizava.

    Chegou ate a casa de leão com a respiração um pouco ofegante. Além de ter subido as pressas à escadaria, seus pensamentos também vinham a mil. Sua concentração focada em seus sentimentos não correspondidos o fazia seguir de forma fulminante.

    — Shaka...

    Aiolia o chamou no começo na escadaria de sua própria casa. O loiro olhou-o desnorteado. Seu pensamento não o deixava associar as coisas ao redor, e o fato do leonino estar ali, não estava sendo bem recebido pelo seu cérebro.

    — O que quer? — o virginiano indagou do alto da escadaria que dava acesso à casa de leão.

    — Primeiramente, quero saber se está tudo bem com você?! — Aiolia forçou-se um pouco, começando a subir as escadarias. – segundo, quero te convidar para um chá, quem sabe assim você se acalma um pouco.

    Shaka ergueu uma de suas loiras sobrancelhas.

    — Os machucados foram em você, em Saga e em Camus, não em mim. Portanto estou bem. Em relação ao chá, você nunca foi de tomá-los. Então, por quê? – indagou cruzando os braços na altura do peito.

    Com um pouco de dificuldade Aiolia conseguiu subir todos os degraus e aproximar-se do loiro. Os grandes olhos verdes do leonino miravam a face alva, com alguns tons rosados no centro das bochechas.

    — Se estivéssemos em situações opostas, você diria: “nem todos os machucados são visíveis”— falou o grego. — aqueles que nos incomoda diretamente são os mais prejudiciais.

    O cavaleiro de virgem fitou o grego totalmente contrariado. Não estava muito disposto a conversas. A confusão que seus sentimentos causavam não o deixava raciocinar direito. Entretanto sabia que Aiolia tinha razão. Provavelmente falaria aquilo mesmo, se estivessem com os papeis trocado. Como queria que fosse Aiolia, e não ele, a estar naquela profusão de sentimentos...

    Soltou um ínfimo sorriso acompanhado de um suspiro amargo. Como estava sendo mesquinho... como podia desejar aquela confusão de espirito para um amigo como Aiolia.

    Assim como Milo, Aiolia era intenso demais. Quase infantil. Claro, tinha seu lado protetor, agressivo e agia como um verdadeiro cavaleiro da Deusa Athena. Mais seu lado gentil e, por vezes, bondoso não suportaria aquela pressão. O leonino com certeza explodiria ao ver a pessoa que ama nos braços de outra pessoa. Mas pensando bem, ele também não sabia agir com aquele sentimento e acabara, mesmo que camuflada mente, fazendo a mesma coisa que Aiolia provavelmente faria.

    “Que confusão horrorosa estão meus sentimentos” — pensou, mordendo o lábio inferior.

    Não sabia lidar com o amor, isso era fato. Sempre manteve o sentimento que nutria por Mu, guardado. Já sabia lidar com isso. Com o fato de que o ariano nunca seria seu. Que seria somente e, simplesmente, seu amigo mais próximo. No entanto, vê-lo nos braços de outro fazia nascer um sentimento estranho dentro de si. Um sentimento nocivo e, ao que pode ver, bastante destrutivo. Aiolia, Camus e Saga eram prova disso.

    — Desculpe-me Aiolia. Eu não consegui me conter e acabei ferindo você, Camus e Saga. Mais não precisa se preocupar, prometo não cometer o mesmo erro. — Shaka disse, com toda a serenidade que conseguiu reunir.

    — Não deveria fazer promessas que não poderá cumprir. — o grego ditou sábio. — porque não vamos tomar um pouco de chá? Talvez, quem sabe, essa conversa renda um pouco mais.

    — Duvido muito que na casa de leão tenha alguma erva que me agrade. — ditou altivo.

    Era exigente com seus chás e fusões. Cada erva tinha uma função no corpo humano e naquele momento estava precisando de uma que pudesse lhe dar entendimento e sabedoria para lidar com aqueles sentimentos, no entanto, como teria a companhia de Aiolia um chá de erva camomila, munido de algumas gotas de limão, estava de bom tamanho.

    — Esse é o Shaka que eu conheço. Totalmente altivo e absoluto naquilo que deseja. — o virginiano achou melhor não retrucar. Sabia bem sobre o que o colega falava. Ambos eram cavaleiros de ouro. Suas almas ressoavam seus sentimentos através dos cosmos. A sorte do loiro era que ele conseguia evitar que seus sentimentos passassem através do cosmo, ou por outro lado, o santuário inteiro saberia dos sentimentos que nutria em relação à Mu. — Tenho absoluta certeza de que na próxima casa, tem a erva exata de que precisamos. — o leonino falou em tom brincalhão.

    — Ho. E você sabe se o guardião da próxima casa vai convida-lo a entrar? — indagou olhando de canto para o amigo.

    — Acredite, ele não diria não para mim. — sentenciou o leonino cheio de si.

    — Não seja convencido, Aiolia. — ralhou o loiro indiano. Aiolia riu como uma criança da face brava de Shaka. Tinha conseguido cumprir seu primeiro intento... mostrar ao protetor da sexta casa zodiacal que estava tudo bem. Que apesar dos pesares, todos tinham direito “a um dia de estresse”. — de todo modo... — continuou o virginiano — estou lhe devendo um pedido de desculpas, então Aiolia, você está convidado para me acompanhar ate o templo de virgem e tomar um pouco de chá comigo.

    Os dois cavaleiros continuaram a subida ate a casa de virgem. Shaka sabia que Aiolia era extremamente tenaz e que o infernizaria ate conseguir o que queria. Por isso, como já sabia exatamente o que o outro iria perguntar, foi preparando as respostas erradas paras as perguntas certas.

    Ao chegarem ao sexto templo o virginiano levou o grego ate a parte habitável do mesmo. Colocou varias almofadas em tons douradas e prateadas no chão, ao redor da mesinha de centro de sua sala de visitas. Pediu para que Aiolia se acomodasse enquanto ele preparava a bebida para ambos. Depois de alguns minutos Shaka retornou com uma bandeja em mãos. Colocou a mesma em cima da mesinha de centro.

    Pegou o bule e despejou o liquido nas xicaras. Entregou uma para Aiolia e solveu um pouco da outra.

    — Não existe nada melhor que um bom chá de camomila com limão. — Shaka disse, logo após levar a xicara com o liquido fumegante aos lábios finos.

    — É... Ate que tem um gosto aceitável. — disse Aiolia, que também bebia da infusão.

    Shaka recebeu o comentário com um pouco de descaso. A opinião de Aiolia não deveria ser levada em conta, afinal, em poucas ocasiões o leonino se servia dos benefícios de ervas tão boas como aquela. Ate se ariscaria a dizer que, se não fosse à primeira, chegava ser no máximo a terceira vez, ao menos que se lembrasse de ter presenciado, que o outro provava um gosto mais ameno como calmante.

    — Você é um consumidor de cafeína, Aiolia. Nunca terá bom gosto!

    O grego fez cara feia para o comentário. Estava elogiando a infusão de “mato” que o outro fizera. Então porque, o seu tão precioso café estava sendo agredido? Não tinha gostando do comentário, entretanto, nada falou a respeito do mesmo. Simplesmente continuou tomando a mistura preparada com tanto afinco pelo outro.

    Shaka não tinha colocado açúcar, por isso, o chá não estava doce. E mesmo com as gotas de limão, o chá não se encontrava amargo ou azedo. Como o próprio protetor da sexta casa havia dito... era um consumidor de cafeína, portanto não sabia se o gosto daquela mistura devia ser aquele mesmo.

    — Sabe Shaka, entendo perfeitamente que precise se acalmar, por isso, fez um chá de camomila — ou seja, lá como você chame isso — Só não entendo porque teve colocar limão. — regougou o que o aquietava.

    — O limão é para dar um gosto mais forte. — disse, pousando a xicara no pires - O chá em si já tem sua função... acalmar. E além de acalmar, funciona também como um filtro circulatório, ou seja, alivia os sintomas estomacais que possam vir a causar estresse, como enjoos e dor de estomago.

    — Laxante?! — o leonino falou com o olhar arregalado.

    O virginiano fechou os olhos, tentando manter a calma. Aiolia não era como Mu... o ariano saberia exatamente sobre o que estava falando, pois assim como ele, Mu também gostava de chá e sabia sobre o poder que as ervas tinham.

    Repreendeu-se por pensar no estimado amigo e secreto amor, e também por compara-lo, mesmo que parcamente, com o grego a sua frente. Já tinha decidido que o protetor da primeira casa, não seria mais que isso... o protetor da primeira casa! Seu companheiro de arma e mais um cavaleiro que era responsável pela proteção da reencarnação da Deusa Athena.

    Tinha colocado isso em sua mente e não entendia porque seu coração custava a aceitar sua decisão.

    — Somente um novo amor tem o pode curar um amor antigo! — Aiolia sibilou para um pensante Shaka.

    — O-o que? — indagou tenso. Olhou para o leonino com ambas as sobrancelhas erguidas. — acho que não compreendi.

    Aiolia pousou sua xicara e pires em cima da mesinha de centro. Olhou dentro dos orbes azulados que o virginiano possuía e abriu os lábios. Notou que Shaka, embora homem e mortal — mesmo ele sendo o homem mais próximo de Deus - tinha uma beleza rara e natural ao mesmo tempo.

    Cabelos loiros e olhos azuis eram algo facilmente encontrado na Grécia. Seu melhor amigo, Milo, por exemplo... também tinha cabelos loiros e olhos azuis. Também já tinha encontrado, em suas viagens feitas mundo afora, muitas pessoas com aquelas características. Entretanto, essas características pareciam realçadas no guardião da sexta casa.

    A íris azul, não era bem azul. Tinha uma entonação esverdeada. Como se fosse um começo de uma lagoa que, de acordo com que você vai penetrando-a, a agua se torna mais escura e densa. Mesmo se sabendo que a cor da água em si é incolor, podia nota o mesclar do azul e o verde, em um tom leve e forte ao mesmo tempo. Era assim que era o olhar de Shaka, azul/verde suave/penetrante. Os cabelos loiros, assim como o olhar azulado, não eram exatamente loiros... era como se um gotinha de sol tivesse pingado e se fixado no fios, tornando-os tão dourados como se fossem ouro. Fios dourados... era assim como a cascata loira do virginiano deveria ser chamada. Entretanto, mais do que exatamente avaliar essas duas características, era notar que, exaltando elas, estava a pele pálida como leite. Que os olhos índigos, dependendo do ponto de vista, poderiam ser extremamente sedutores. Que os lábios finos e o nariz arrebitado lhe davam um ar de arrogância e intocável. E que, talvez, fosse por isso que dissesse que Shaka era o homem mais próximo de Deus. Pelo ar intocável que o mesmo parecia ter...

    Entretanto, através da perfeição composta pelos olhos azuis, o cabelo dourado, a pele de leite e os componentes do ar arrogante, o cavaleiro de leão conseguia ver que o homem mais próximo de Deus era sim tocável. Naquele momento, por exemplo, ele estava sendo tocado pela força mais potente do universo... o amor!

    Como ele sabia disso? Já esteve naquela situação. Já teve alguém intocável para amar. E também a perdera para outra pessoa. E era exatamente por isso que se atrevia a dizer aquilo. Quesomente um novo amor tem o pode curar um amor antigo! Porque as regras da vida eram assim.

    — Eu disse que somente um novo amor tem o pode curar um amor antigo! — repetiu para que Shaka pudesse escutar. — é por isso que está assim, não é? Você está apaixonado por alguém, mas seu amor não é correspondido.

    O virginiano ficou sem fala. Seu olhar estava perplexo. Sabia que Aiolia tinha perguntas e que, mais cedo ou mais tarde, elas viriam. Que consequentemente acabariam naquele tema de amor não correspondido. No entanto, antes disso, esperava algo como “o que está acontecendo? Você não é tão descontrolado assim!” ou “sei que algo está acontecendo com você, diga o que é?” ou “aonde anda sua passividade?”. Esperava por perguntas bobas... perguntas que conseguisse, a custo de algumas “mentiras”, colocar Aiolia em um rumo diferente do que realmente era. Não estava esperando por uma pergunta direta. O leonino tinha, direta e exatamente, partido no ponto fixo da questão — mesmo sem saber — faz a pergunta mais real e cruel.

    Mesmo que já tivesse se convencido que Mu não seria seu e que estava perfeitamente satisfeito com Kanon, agora sabia, não conseguia se sentir bem com outros de fora percebendo isso. Que doía bastante. Que fazia a raiva crescer mais. Mais raiva de que? Ainda não sabia explicar.

    Embora tivesse sentindo seu coração apontar dolorosamente, como se estivesse sendo perfurado por vários espinhos, colocou a roupa que costumava colocar nessas ocasiões — a indiferença — olhou dentro dos olhos verdes do leonino e com serenidade rosnou em defesa

    — Aiolia, estamos tomando chá e não bebida alcoólica. Portanto, não fale besteiras.

    O guardião da quinta casa sorriu. Já esperava aquela reação do loiro. Shaka sempre tinha sido nomeado como o “iluminado” do santuário. Dentre todos os doze cavaleiros de ouro, era o virginiano que carregava o dom da pureza e sabedoria divina e que, portanto, não poderia estar envolvido com coisas mundanas como o amor.

    — Você não pode negar o que está em seus olhos Shaka. Sua alma grita. Eu posso ouvi-la. — insistiu o grego. — você ainda o ama!

    — Ora, não fale besteiras Aiolia! – disse, fechando o punho em uma das almofadas ao seu lado. Fazendo força para pular em cima do amigo e estapeá-lo ate ele parar de tirar aquelas conclusões verídicas ao seu respeito.

    Aiolia dizia, em alta voz, exatamente o que seu coração dizia e o que ele mais queria sufocar.

    — Eu posso ver o seu coração sangrar, Shaka. – o leonino ditou. Para ele, que era o segundo mais próximo do cavaleiro de virgem, o estado de espirito do outro era claro. E seu intimo também decaia com isso.

    — Pare! Por favor, pare. Aiolia. — pediu. Seus serenos olhos demonstravam angustia.

    — Porque você não disse a ele? — indagou.

    — Porque de nada adiantaria. — respondeu com pesar. Tentava sufocar a angustia que começava a transpassar seu coração. — agora, se você não se importa, eu gostaria que me deixasse sozinho.

    — Shaka...

    — Já chega, Aiolia. — o indiano pediu sem força. Era doloroso pensar naquilo. Naquele amor sem sentido. — eu já disse que quero ficar sozinho.

    — Você não pode fugir para sempre!

    — E você deveria supor que talvez tenha entendido errado! Agora, saia. Deixe-me sozinho.

    O leonino não se opôs mais. Agora sabia o afligia o amigo. E tentaria ajudar no que fosse necessário. Shaka era um cavaleiro honrado e admirado e Aiolia não queria que o virginiano descaísse. Que se machucasse. E por experiência própria o grego sabia que, quanto mais longe Shaka levasse seu amor não correspondido, e ao que pode perceber... não revelado, maior seria sua dor e sofrimento. No entanto, por hora, apenas acataria ao pedido do amigo. Deixá-lo-ia sozinho para que meditasse e quem sabe se acalmasse um pouco.

    &&&&

    A manhã seguinte, novamente, o treino coletivo se fez presente. Shaka, porém, dessa vez preferiu ficar em sua casa. Meditando. Pensando nos ultimo acontecimentos. Mais precisamente no fato de ter ferido seus companheiros e a conversa com Aiolia.

    O grande mestre, que tinha ido acompanhar pessoalmente o treino, não falou nada a respeito da falta de Shaka. Tinha sido informado do ocorrido no dia anterior e, por obvio, quando percebeu que o protetor da sexta casa não havia comparecido no treino, apenas, suspirou. Era tudo o que o podia fazer naquele momento.

    Os dourados, entretanto, sentiram a falta do indiano e ficaram se perguntando se Shaka estava se sentido culpado pelo ocorrido do dia anterior. Mú, que também estava estranhando a atitude do amigo, acalmou os demais dizendo que naquela mesma tarde o procuraria e conversaria com ele.

    — Isso mesmo Muzinho. Diga aquele ser arrogante que não o culpamos por ele quase ter matado o pinguim, o leãozinho e o drogado. — Afrodite falou com um sorriso sapeca no rosto.

    — Quem é o drogado Afrodite? — Saga perguntou do meio da arena.

    — Você e o Aiolia, mas isso não importa agora. — O sueco sorriu e estalou a língua. — o que importa é que Shaka venha treinar conosco, certo?

    — Como assim eu o Saga? — o leonino indagou olhando feio para o pisciano.

    — Olha, isso não importa. — Camus interveio. O grande mestre estava presente. Controlarem-se, mesmo em uma briguinha infantil, era necessário. — é verdade que Shaka quase matou a mim, Saga e Aiolia, no entanto, tenho certeza que ele deve estar com algum problema.

    Todos os cavaleiros, com exceção de Aiolia, miraram Camus. O aquariano tinha razão. Shaka estava taciturno. Matinha distância e estava sendo mais discreto que o normal. Ate o poderosíssimo cosmo do virginiano, que outrora era sereno e controlado, estava oscilando entre o frio solitário e a raiva fulgente.

    — Concordo! Ultimamente ele andar tão diferente. — Milo pôs a mão no queixo, tomando-se de diferencias existentes na personalidade, passado e atual, do cavaleiro da sexta casa.

    — Seja lá o que for, deve ser algo no qual ele não quer que saibamos. — volveu Aiolia, olhando fixamente para os companheiros.

    — Verdade. Se me lembro bem... ontem você foi conversar com ele. — Shura, que apenas escutava, falou. — o que ele te disse?

    O leonino sentiu um pequeno faiscar em sua espinha. Tinha certeza que se contasse sobre os sentimentos do “vizinho” Shaka faria picadinho de sua pessoa. Além do mais, se o próprio virginiano ainda não tinha dito nem para a pessoa que amava o que sentia, então, ele não podia sair revelando os segredos do amigo.

    — Bem, ele não me disse nada. — ditou nervoso.

    — Conta outra gatinho. Você não conseguiu arrancar nada do Shaka?! – volveu Milo, em tom pejorativo.

    — Não Milo, eu não consegui arrancar nada do Shaka. — Os olhos de Aiolia brilharam jocoso. O grego tinha plena consciência da personalidade fofoqueira de Milo. Algo estar acontecendo no santuário e o escorpiano não saber era algo inadmissível. — nós só tomamos chá.

    — Chá? — Mú estranhou. Sentiu-se intimamente roubado. Antes era ele a tomar chá com o virginiano — você e Shaka tomaram chá?

    — É... passamos a tarde toda fazendo isso! — ditou sem muita importância.

    — Que programa de índio! — Milo reclamou.

    — Não achei! — volveu o grego leonino. — ate que foi divertido.

    — Divertido?! Desde quando tomar água quente com gosto de mato é divertido Aiolia? — o escorpiano indagou trigueiro.

    — Como assim, água quente com gosto de mato? — Camus indagou. Ele próprio gostava de tomar chá — quantas vezes você tomou chá para dizer que o mesmo só tem gosto de mato?

    — Concordo com o Camus. — Mu falou, também olhando feio para o loiro — você não conhece as propriedades de uma boa erva.

    — Ah, não. Isso eu deixo com o Saga. — Milo retrucou espontâneo. — não é ele, o “drogado” do santuário.

    Camus e Mú reviraram os olhos. O geminiano, porém, já estava cansado daquela situação. Sim, tinha errado no passado. Quando aceitou os poderes e a proposta de Ares rodou a roleta dos destinos de cada um ali presente no santuário e fora dele também. Entretanto, já tinha mostrado seu arrependimento e renovado seus votos de lealdade para com Athena e o santuário. Mesmo assim, todos continuavam com as brincadeiras de mau gosto e alfinetadas indiscretas.

    Antes de ser um cavaleiro ele era humano e, assim como qualquer outro, tinha o direito de errar. Permanecer no erro ou não também era de escolha sua, e não entendia porque os outros não entendiam que tinha escolhido o “lado certo!”. Mesmo estando puto com Milo e Afrodite, pelas brincadeiras sem graça, Saga simplesmente balançou negativamente a cabeça e saiu pisando duro da arena de treinamento.

    — Acho que ele ficou zangado. — Shura ariscou-se a dizer.

    — Quem não ficaria? — indagou Aldebaran, o grandão olhava o geminiano subir às escadas que davam acesso a saída da arena. — os companheiros que deveriam ajuda-lo a reconstruir e apagar uma fase desonrosa de sua vida... são os primeiros a lembrá-lo de sua pior fase.

    Os dourados distribuíram olhares entre si. O protetor da segunda casa tinha razão. Athena tinha lhes dado uma nova chance, independente dos pecados que cometeram. Se Saga tinha culpa, então todos ali deveriam assinar em baixo e pedir suas sentenças, pois seguiram coerentemente as ordens sem questionarem.

    Sabiam como era o trabalho do santuário e ainda quando as coisas saíram dos eixos ninguém fez nada para mudar ou amenizar a situação. Se agora estava no meio do mar Ergeu foi porque ninguém questionou para onde o condutor estava levando o barco.

    Saga podia não ser completamente inocente dos acontecidos, entretanto, também não era completo e unicamente culpado.

    &&&&

    Naquela mesma tarde no santuário, o mestre convocou uma reunião para avisar sobre as futuras modificações.

    Shion era mais uma vez grande mestre do santuário de Athena. Tinha sido um trabalho enorme ressuscitá-lo junto com os demais cavaleiros de ouro. Fazer um acordo com seu tio Hades e os outros Deuses foi algo cansativo, mas Athena havia conseguido...

    E agora, duas fileiras douradas estavam postadas no salão do grande mestre. Todos os cavaleiros de ouros, vestindo suas sagradas armaduras, estavam alocados por ordem de templo. Escutando atentamente as instruções do grande mestre.

    — Durante varias batalhas, o sangue sagrados dos defensores de Athena foi derramado. E com muita dificuldade conseguimos dizimar o manto de trevas que havia sido jogando sobre o santuário, ameaçando a paz e o amor na terra. — Shion passavam entre as fileiras — agora, para dar-lhe uma vida mais “normal” e restabelecer a ordem do santuário e do mundo, Athena decidiu que, a partir do seguir dessa semana, todos os cavaleiros de bronze virão treinar no santuário. E que vocês, os sagrados cavaleiros de ouro, serão seus responsáveis e mestres.

    Um punhado de burburinhos se fez presente. Ninguém ali ousaria ir contra a ordem do grande mestre, ainda mais quando esse desejo vinha também de Athena. No entanto, saber que todos eles iriam, além de ganhar novas responsabilidades, ter que conviver e treinar com aqueles que estiveram desde sempre ao lado da Deusa reencarnada... era, por demais, constrangedor.

    Por certo que, com exceção do cavaleiro de Gêmeos, todos tinham sido enganados pelo suposto mestre anterior, Are, que na verdade era o cavaleiro Saga de Gêmeos. Renascido e perdoado de seus pecados. Era dever deles: “dos sagrados cavaleiros de ouro” a total proteção de Athena e a ordem do mundo. E eles haviam falhado gravemente, tanto com o mundo quanto com sua estimada Deusa.

    A intenção de Athena era acabar com as restrições que ainda existia entre seus cavaleiros. O treino coletivo mostrou-se ser uma medida fracassada, uma vez que o cavaleiro de virgem, além de ter ferido alguns de seus companheiros, se isolou ainda mais.

    — Ou seja, Athena quer que treinemos nossos substitutos?! — Shura regougou. Não tinha gostado da idéia de ter um discípulo.

    — Na verdade, o desejo de Athena é que todos os cavaleiros dela estejam, além de preparados para alguma eventualidade que possa acontecer... comungados! — os cavaleiros olharam sem entender para o homem ao qual deviam, antes de tudo, obediência. — alguns de vocês ainda possuem conflitos e magoas. Por isso, Athena decidiu colocá-los como responsáveis e instrutores dos mais novos. Aprender também faz parte! — os rostos cheios de testas enrugadas se encaram. E, mesmo não estando tão comungados quanto Athena queria, naquele momento todos os cavaleiros de ouro estavam unidos por um único pensamento...

    Coisas mudariam no santuário!

    Continua...

    21/02/2015


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