A aventura dos sonhos

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    12
    Capítulos:

    Capítulo 13

    Entre as rosas do Sol

    Heterossexualidade, Violência

    Itachi dirigia atormentado, pois Mebuki Haruno contava sobre a doença da filha. Conforme ouvia palavra por palavra sobre o estado de Sakura, difícil tornava-se em acreditar que uma garota de beleza incrível e aparência sadia pudesse ter algo tão ruim a carregar. Lembrava de ter visto a filha do casal uma vez, os orbes verdes intensos tão expressivos cativaram-no.

    Sua mente voou ao ponto de dirigir automaticamente, não escutando a voz da senhora Haruno. Perguntava-se se Sasuke conhecera Sakura...se eles ficaram amigos...se estariam juntos...lembrava que o irmão sumiu para não almoçar com os vizinhos, Sakura também sumira naquele dia...

    Kizashi Haruno, no banco de trás, observava inquieto através das janelas, rezando para ver a filha em algum lugar durante o caminho.

    –Ela deve ter lido sobre Tsunade, uma médica famosa que está fazendo uma pesquisa na cidade de Suna. -Concluiu Mebuki que só então notou não ter sido escutada:- Itachi-san?

    Itachi sacudiu a cabeça, não conseguindo disfarçar seu temor, desculpou-se:

    –Perdão...

    –Está tudo bem, é normal sua reação. -Mebuki apertou as mãos sobre as coxas:- Uma menina tão linda ter câncer...-Sorriu ao dizer:- Ela foi a primeira a aceitar isso.

    –Ela é uma menina madura. -Kizashi ainda procurando a filha somente com o olhar, prestava atenção na conversa e disse emocionado:- Sakura decidiu estudar em casa, ela também arruma o quarto e varre a casa...-O senhor Haruno limpou uma lágrima que chegou até abaixo do queixo:- ...Não tem amigos em Konoha, se manteve distante de todas as crianças da vizinhança...o lugar preferido dela é o campo da cerejeira, onde pode ficar sozinha e apreciar a natureza...

    Itachi cerrou os dentes, apertando o volante com bastante força.

    –Ela é contra a nossa decisão de vender o campo. -Mebuki comentou:- Desde então, nossa relação ficou mais difícil...

    A senhora Haruno lutava interminavelmente para não cair em prantos.

    –Aquele é o posto de pesagem onde encontraram seu irmão?!

    Kizashi dissera, tirou o cinto de segurança, inclinando-se pra frente ficando entre Itachi e Mebuki.

    –Sim, vou parar aqui e pedir informações.

    O Uchiha estacionou, agradecido mentalmente por ter chegado logo, não sabia como reagir em relação aos pais de Sakura. Não aguentaria levar a conversa durante toda a viagem até Suna. Estando muito atordoado saiu do carro e parou um momento para assimilar tudo o que escutou, e tudo o que pensou.

    Kotetsu e Izumo ainda estavam no posto, dentro do caminhão, dormiam respectivamente no banco de motorista e de ajudante.

    Kizashi correu, ultrapassando Itachi, adiantou-se a bater na porta. Começou a dar socos ao ver que o homem não acordava.

    Mebuki e Itachi observavam ao redor, avistaram um carro da polícia, porém estava vazio.

    O Uchiha perdendo a paciência, correu até o senhor Haruno, pediu licença e se pendurou no caminhão batendo no vidro da janela.

    O caminhoneiro acordou e sonolento, viu o rosto cujos orbes ônix faiscavam.

    –Você...-Kotetsu esfregou os olhos e sentando-se direito no banco, abaixou o vidro da janela:- Você é o pai do menino?

    Itachi saltou pra trás, apresentando-se:

    –Sou Itachi Uchiha, irmão do menino Sasuke.

    Kotetsu abriu a porta e desceu do caminhão, esfregando a nuca.

    –Arf...que cansaço...não pude abandonar o posto. Alguns utensílios da carga foram quebrados ontem. -Kotetsu esclareceu diante o olhar petrificante do Uchiha:- Senhor Itachi, não autorizei seu irmão a viajar comigo, ele veio escondido.

    –Isso eu sei, gostaria de saber para onde ele fugiu, em que direção?

    Kotetsu pensou um momento antes de apontar.

    –Naquela direção.

    –Não viu ninguém mais com ele? -Mebuki perguntou cansada de esperar:- Uma menina de cabelos rosados?

    –Menina? Não.

    –Ele estava com um galo. -Izumo havia acordado e chegou a ouvir a pergunta da senhora Haruno. Da janela do caminhão respondia:- O resultado da pesagem de carga indicava que tinha mais peso que o corpo do menino possui...só podia estar na companhia de alguém, não pensamos nisso ontem...

    Kotetsu após refletir concordou com o companheiro, surpreso. Não chegou a pensar em tal possibilidade. Falou:

    –O espaço do caminhão ficou coberto de penas...

    –Elvis!

    Mebuki e Kizashi falaram juntos. Eles se deram as mãos e fitaram-se, esperançosos, sabiam que estavam na pista certa.

    –Elvis?

    Itachi repetiu o nome sem compreender.

    –É o galo que ela adora...-Kizashi explicou:- Só precisamos saber pra que direção ela foi.

    Izumo lembrou de avisá-los:

    –O policial Guema, mais cedo organizou um grupo de busca, não demorará para essas crianças serem encontradas. -Riu antes de retornar para seu sono:- Elas não vão longe, por quanto tempo acham que ficarão na floresta sem um adulto por perto?

    Itachi também pensava assim, mas não sabia até onde a determinação de uma garota com câncer poderia chegar, nem a insistência do seu irmão, quem conseguiu fugir de um policial. Se virou para os senhores Harunos:

    –O que estamos esperando? Vamos procurá-los! Se eles se meteram pra dentro da floresta, nós também vamos!

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    –Então, onde os foragidos estão indo?

    Kiba perguntou animado quando Sasuke e Sakura juntaram-se a eles novamente.

    O Uchiha rápido lançou um olhar mortal para Naruto quem encolheu os ombros explicando-se:

    –Que foi? Ele é legal.

    Sasuke passou a mão no rosto, balançando negativamente a cabeça.

    –Onegai. -Pedia Sakura correndo até ficar em frente do Inuzuka, com os dedos entrelaçados, implorava:- Por favor, não nos devolva para nossos pais.

    –Queremos ir pra Suna. -Sasuke falara sério:- E antes que venha me dizer que é perigoso fugir de cas...

    –Calma. -Pediu Kiba passando a mão na cabeça da Haruno:- Compreendo vocês, quando tinha a idade de vocês também fugia muito de casa.

    –Mesmo?- Naruto teve os olhos ressaltados:- Então vai nos deixar ir?

    –Claro, podemos ir juntos. Estou em busca de uma relíquia. -Kiba apontou para a montanha no horizonte:- Pretendo contornar a montanha onde tem um túnel que pode me levar o mais perto do baú do meu avô.

    –Como é que é?

    Sakura e Naruto perguntaram junto enquanto Sasuke franziu o cenho.

    Hinata sentada sobre a grama fazia carinho em Akamaru, atenta a conversa.

    Elvis na cabeça do cão buscava a atenção da Hyuuga.

    –Um caça tesouro?

    Naruto questionou maravilhado.

    –Há,há,há,há...mais ou menos. Meu avô se aventurava pelo mundo sabe, em uma de suas viagens escondeu algo precioso de acordo que com ele, um inimigo queria roubar. –Entristecido contava a história:- Uma pena, mas ele morreu antes de conseguir pegar o baú de volta...agora com idade suficiente, continuo essa busca por ele. -Concluiu com um olhar cúmplice as crianças:- Meus pais nunca entenderam, não acreditavam no velho, mas eu sim, por isso eu fugia muito de casa.

    –OOOO...-Naruto lacrimejou de emoção, ajoelhado diante o Inuzuka implorava:- Por favor Kiba, nos deixe ir com você.

    –Vamos atrapalhá-lo. -Sasuke falava:- Vamos seguir cada qual seu caminho.

    –Oras, tudo bem, se querem ir para Suna terão que seguir para o mesmo caminho que eu.

    Kiba informou contente.

    Sakura sorriu, sentindo-se mais segura com a presença do Inuzuka.

    Sasuke notando o olhar de admiração da Haruno para Kiba, cerrou os punhos, endurecendo o maxilar.

    Hinata abraçou Akamaru, o cão lambia o rostinho delicado.

    –Você só pode conseguir o seu tesouro contornando a montanha?

    Sasuke perguntou, querendo arranjar uma desculpa, algum motivo para se livrar de Kiba.

    –Bem, contornar a montanha levará dias, mas se eu conseguisse passar pela passagem de água só demoraria horas.

    –Opa. -Naruto arregalou os olhos, tendo uma ideia:- Se você conseguisse passar? Acha que posso passar?

    O Inuzuka mostrou sua surpresa, demorando para respondê-lo:

    –Isso é perigoso menino.

    –Meu tamanho consegue?!

    Naruto insistiu, ansiando por algo emocionante.

    Kiba mudo, pensava, de fato uma criança podia passar, porém a determinação do Uzumaki lhe assustava. Sussurrou:

    –Sim, mas não permitir...

    –Você entende não é?- Naruto interrompeu empolgando-se, seu sangue fervia de agitação:- Está dando uma de responsável agora?

    –É uma missão que tenho que realizar. -Kiba explicava:- É de família, preciso do baú comigo, desculpe ser egoísta mas não sei se poderei dividir com você. Ainda não sei o que tem dentro do baú, meu avô disse apenas que é especial.

    –Não vou cobrar nada, mas vamos pelo mesmo caminho não é?- Naruto já estava decidido:- É uma gratidão, quando terminarmos essa viagem quero ter uma incrível história.

    Sasuke trocou um olhar com Sakura, ela deu de ombros.

    O Uchiha pensou:

    –“Isso vai nos atrasar...”.

    *******#####*******

    O grupo continuou viagem sob os raios de sol.

    Não estavam por dentro da floresta.

    As árvores agora faziam parte do cenário ao longe.

    Eles possuíam visão da montanha.

    Kiba liderava o percurso, de vez em quando olhava para trás, ao redor, alguma pista de estarem sendo seguidos, pois não era acostumado a ter alguém além de Akamaru a lhe acompanhar, ainda mais se tratando de crianças foragidas.

    Atrás do Inuzuka, do lado direito, Hinata e Sakura estavam nas costas de Akamaru.

    A Haruno rodeava a cintura da Hyuuga com as mãos, repousando o rosto sobre os cabelos azulados.

    Hinata brincava com uma mecha do cabelo de Sakura, levando ao nariz, adorando o perfume de cerejeira. Elvis subiu, pousando sobre a cabeça do cão, dessa vez não bicava-o.

    Naruto e Sasuke iam por último.

    Os viajantes seguiam as águas calmas, conforme avançavam, as águas se alargavam, formavam uma correnteza cada vez mais forte.

    Naruto arrancou uma planta, com a ponta do talo, começou a roçar na nuca do Uchiha. Tapou a boca com a mão, prendendo sua risada a todo custo, pois o moreno pensava ser um mosquito.

    O Uzumaki persistiu em incomodar o Uchiha até o mesmo descobrir não ser um mosquito e gritar:

    –Droga Naruto para com isso!

    Naruto rindo se afastou. Demorado um tempo voltou a roçar, divertindo-se, pois quando encostava a ponta na pele do Uchiha, via-o arrepiar.

    Sasuke perdendo a paciência, virou com tudo para socar o Uzumaki.

    Naruto deixou a mochila e começou a correr sobre a grama alta. Olhando pra trás, ao ver o moreno lhe perseguindo, riu abertamente.

    Kiba ria da diversão deles, ou melhor da diversão do Uzumaki, pois Sasuke queria estrangulá-lo.

    Sakura ria também.

    Hinata sorria, pois ouvia o gargalhar do Uzumaki.

    O Uchiha pulou nas costas do loiro, agarrando-o pelo pescoço, numa chave de braço, querendo arrancar mesmo a cabeça dele. Perguntava:

    –Ainda vai mexer comigo?

    –Tá bom tá bom...

    Naruto respondeu rouco.

    Sasuke soltou-o querendo retornar junto dos outros. Naruto não desistiu, de quatro avançou sobre as pernas do Uchiha, fazendo-o cair. Ficou por cima do moreno agora fazendo a chave de braço.

    –PEDE PINICO, PEDE PINICO!!!

    –Para Naruto...

    Sasuke balançava-se. Os dois começaram a rolar na grama numa luta interminável.

    Sakura lacrimejou de tanto rir.

    Embora Sasuke e Naruto tenham parado para brigar, os outros continuaram viagem, os dois meninos ficaram pra trás.

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    Sasuke agora caminhava junto dos outros, atento a qualquer movimento do loiro, mas Naruto parecia querer descansar depois da correria que fez para alcançar o pessoal, por isso deixou de se preocupar tanto.

    O Uchiha também necessitava descansar, porém não iria pedir pausa se Kiba não se mostrava disposto a parar. Nem mesmo Naruto, quem carregava a mochila, não pediu para descansar.

    As meninas iam calmas sobre o cão.

    O vento forte batia na cara de todos.

    Os cabelos dançando como chamas.

    Sakura quase não acreditou quando uma borboleta azul pousou no meio do seu rosto. Devagar levou os dedos até ela, logo o inseto passou pra sua mão.

    Hinata ao ouvir a Haruno lhe avisar sobre o fato, abriu a mãozinha, e a rosada fez o inseto passar lentamente para seus dedinhos pálidos.

    –O azul é a cor do céu Sakura-chan?

    Perguntou a Hyuuga sentindo levemente o inseto em sua pele.

    –Sim, a cor do oceano também. E dos seus cabelos escuros e lisos.

    –Quero o azul!

    Hinata feliz dissera.

    Elvis sacudiu as asas, lançando algumas penas ao ar, o vento lhe sacudia por inteiro.

    A borboleta voou, os orbes esverdeados acompanharam o inseto que se tornou um pontinho azul e preto quando ficou longe.

    –Cadê?

    Hinata estendia a mão novamente.

    –Ela já foi. –Sakura passou a mão na cabeça da Hyuuga:- Se assustou com Elvis.

    –Pena...-Hinata sussurrou entristecida:- Eu...queria tê-la pra mim...

    –Borboletas precisam ser livres, são mais bonitas na natureza. Assim como as aves.

    –Então porque não liberta o seu galo doido?

    Sasuke intrometendo-se, aproveitando uma deixa para se livrar do animal o qual já abria o bico em sua direção. Sério, começava a achar que Elvis entendia a língua dos humanos.

    –Elvis é mais feliz comigo. -Sakura convenceu-se do fato há muito tempo:- Ele não gosta de sair de casa e sempre come no horário certo.

    –Humpf...

    Após meia hora, avistavam uma nova paisagem.

    O rio tornara-se ainda maior.

    Atravessavam um campo de flores chamadas rosas do sol. Possuíam uma cor a qual mudava constantemente do amarelo para o laranja e vice-versa, quando o vento forte passava por elas, muitos dos fiapos os quais faziam parte da composição da espécie de flor, voavam.

    Sakura desceu de Akamaru ajudando a Hinata a chegar ao chão também.

    Hinata ao sentir a primeira rosa do sol, sorriu, encantada começou a andar sem medo de cair ou bater em algo. O perfume era bom e a maciez dos fiapos lhe dava um conforto único.

    Naruto hipnotizado, fitava a Hyuuga rodopiar no campo das rosas do sol. Muito feliz, ela esbanjava sorrisos e presenteava seus ouvidos com a doce risada.

    Akamaru também correu, correu entre as meninas latindo enquanto Elvis batia suas asas.

    Kiba sorrindo, depositou sua bagagem sobre a grama, foi até a beira do rio, afundou a cabeça nas águas para se refrescar, quando a tirou balançou seus cabelos, várias gotas escorreram por seus músculos.

    Sasuke com as mãos nos bolsos sorria minimamente, parou seu olhar sobre a Haruno quem agora girava de mãos dadas com a Hyuuga.

    Naruto se meteu no meio delas, logo os três estavam de mãos entrelaçadas, brincando de roda, um rindo mais que o outro.

    –Vem Sasuke!!!

    Naruto chamou, a roda ainda girando.

    –Vem Sasuke!!!

    Sakura chamou, girando mais rápido, sendo acompanhada por Naruto e Hinata.

    –Vai lá. -Kiba falou retornando do rio, sentando sobre a grama, descansando:- Não há problema em se divertir.

    O Uchiha hesitou, como demorou arregalou os olhos ao ver Sakura e Naruto desfazendo a roda, deixando Hinata pra trás. Os dois vinham em sua direção com olhares e sorrisos maliciosos.

    –Não, pra trás vocês!

    Sasuke gritou e vendo que eles não cessaram, fugiu deles, correndo pelo campo de rosas, fazendo vários fiapos das rosas voarem.

    O Uchiha não fugiu por muito tempo, a Haruno lhe alcançou primeiro. Naruto o agarrou depois. Sasuke foi levado a força até onde Hinata esperava.

    –É um bom momento para você ser amigo da Hina-chan.

    Disse Sakura levando a mão do Uchiha até a da Hyuuga.

    Hinata vermelha apertou a mão de Sasuke.

    –“Macia...e gelada...”.

    Pensou o Uchiha. A Hyuuga era uma gracinha, mas jamais falaria esse tipo de elogio.

    Naruto e Sakura entreolharam-se e sorriram, pois Sasuke e Hinata ficaram tímidos, não trocaram palavras, no entanto, não soltaram-se.

    Sakura segurou a outra mão do Uchiha, Naruto segurou a outra mão da rosada e a outra mão de Hinata, fechando a roda.

    Quem começou a impulsionar a roda, foi Sakura e Naruto, Hinata acompanhou o ritmo deles e Sasuke se viu na obrigação de correr também. Eles rodaram até não aguentarem mais, caíram tontos sobre as rosas e as risadas que eram baixas, aumentaram.

    Até o Uchiha se pôs a rir quando terminou.

    Todos cobertos por fiapos de rosas do sol, ainda sentiam o vento a confortarem-nos. A imagem do céu tomava conta da visão deles, com exceção de Hinata, mas para ela não se sentir excluída, fechou os olhos e fez a imagem do seu próprio céu na imaginação.

    CONTINUA


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