Live for me

  • Finalizada
  • Kiia
  • Capitulos 1
  • Gêneros Amizade

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

    10
    Capítulos:

    Capítulo 1

    Live for me - Capítulo único

    Linguagem Imprópria

    Bem, essa foi uma história criada para um evento, cujo o tema era algo como "uma planta está morrendo, você deve convence-la a viver". Não consegui, infelizmente terminar o texto a tempo, por isso resolvi postar aqui... Após muito tempo sem postar nada. XD Espero que gostem. :3

     E então lá estava eu, sentada sobre aquela cadeira a horas, apenas divagando coisas sem sentido. O relógio em meu pulso marcava 04:08 PM, e amaldiçoei-me mentalmente. O que estou fazendo afinal? Desabei com um suspiro.

     As páginas continuavam em branco, todas espalhadas sobre minha mesa e o prazo para a entrega estava quase no fim. Estou perdida. Mordi a tampa da caneta algumas milhares de vezes, implorava inutilmente ajuda divina, mas nada, absolutamente nada vinha.

    - Chega... - esfreguei as têmporas, estava exausta de tudo aquilo. Não ganhava tão bem assim no fim das contas para passar por todo aquele estresse infernal do trabalho. Mas ai estarei morta.

     Fitei meu progresso mais uma vez, nada, não havia nada que pudesse entregar até o final do dia. Mordi o interior do lábio inferior. Aquilo era uma mania deliciosa, mas que deveria parar o quanto antes, eu podia sentir o gosto de sangue todas as vezes que repetia aquilo. Foda-se. Atirei-me sobre a cama, planejava simplesmente dormir e quem sabe nunca mais abrir os olhos? Seria maravilhoso...

     Antes que começasse a etapa das alucinações  - aquelas que antecedem o fechar dos olhos e por fim os sonhos, vislumbrei o pequeno pote de terra contendo uma muda de uma Lanterninha-Chinesa. Quanto tempo aquela florzinha estivera comigo? Uma, duas semanas? Não importava o tempo, pois ela estava morrendo. Que ingratidão, pensei fitando-a sobre o braço que cobria parcialmente minha visão. Havia sido um presente, uma lembrança de alguém valioso... Que eu esquecera de cultivar como tantas outras coisas.

    - Vai tarde. - subitamente a ideia da planta partir pareceu irritar-me, e sem pensar muito, arremessei um travesseiro contra o vaso, derrubando-a sobre o piso. Talvez tivesse agido de forma muito precipitada... Mas o que me importava? Era apenas uma planta estúpida.

    ...

     E de repente tudo parecia pesado demais, difícil demais para ser realizado, ou talvez pensado. Era difícil dizer. A cabeça latejava mais do que deveria, e ainda havia uma luz que parecia cegá-la. Sentia algo diferente acariciando seus cabelos... Uma brisa... Quando deixara a janela aberta? Havia ainda uma sensação incomoda, como se alguma coisa pinicasse de leve sua bochecha... Grama? Pensou confusa. Onde diabos estava afinal? Não lembrava de ter dormido ao ar livre. E então abriu os olhos.

     Ah, então isso é viver de verdade? Parecia uma resposta obvia demais para ser respondida em sua mente. Sentada naquele gramado com a luz do sol banhando suas folhas... Folhas?... E o vento acariciando suas pétalas... Pétalas? ... Ela não poderia ser mais feliz.

     E então ela compreendeu. Ela era a planta. A mesma Lanterninha-Chinesa que atirara ao chão. Perdoe-me. Mas não havia o que dizer, não havia o que ser perdoado. Não voltaria jamais ao tempo perdido. Mas então algo aqueceu o seu peito, era uma sensação gostosa, na verdade a melhor que já sentira na vida. Um abraço?

     E lá estava ela. Reluzente como uma fada, com suas vestes brilhantes como seda, olhos que expressavam um sentimento confuso, seria tristeza? Remorso? Arrependimento? Era difícil dizer, mas lágrimas escapavam de seus pequeninos olhos.

     Tentou abrir a boca, gritar tudo que sentia, gritar o quanto arrependia-se do que fizera, mas som algum fugiu de seus lábios. No fim das contas não passava de uma flor... E estava morrendo.

    - Eu entendo. - a jovem das vestes de seda disse tão suavemente como o tecido que envolvia sua pele branca de porcelana. - Sei como se sente, e aceito suas desculpas. - outra lágrima manchou seu rosto, retirando parte do batom vermelho que marcava a bela face. - Mas não é a mim que você deve esses sentimentos, é para aquele que não foi cultivado. Aquele que você deixou morrer tão logo surgiu em sua vida.

     Apenas o vento poderia ser escutado naquele instante. O que ela está dizendo? Como ela poderia saber o que se passava em seu interior?  

    - Não o deixe morrer como eu. Eu o amei, assim como sei que você fez o mesmo.

     Aquela sensação gostosa novamente... Ela estava acariciando-a. Ah, se eu soubesse... Me desculpe...

    - Não a tempo para nada disso... Apenas... Apenas viva por mim.

     E então tudo se fez escuridão. A morte havia chegado.

    ...

    PI PI PI PI...

     Inferno. Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça naquele instante. O sol já havia partido, meu quarto estava tão escuro como em meus sonhos. E aquele maldito celular recebendo uma ligação qualquer.

    - Tá na hora de mudar a droga desse toque.  - reclamei como nos últimos dias. Estava me tornando extremamente rabugenta.

     Revirei minhas coisas, todas atiradas ao chão pela manhã, e de lá retirei meu velho aparelho telefônico. Sete chamadas perdidas. Três pertenciam ao meu chefe, as quais ignorei, mas as demais pertenciam aquela pessoa... O que ele queria afinal? Nossa amizade nunca havia dado muito certo, e a forma como terminara... Bem, ainda me irritava profundamente lembrar-me disso. Era quase como se tivéssemos rompido um relacionamento.

     Bufei. Quase arremessei o celular para longe, mas detive-me ao vislumbrar a planta esparramada no chão, o vaso quebrado e a terra sujando o carpete. Merda. Subitamente  senti-me triste, quase culpada, e lembranças estranhas me vieram a mente, nada muito claro, tudo na verdade muito confuso. Mas uma frase ainda ecoava em minha mente. Viva por mim.

     Novamente o celular começava sua cantiga, indicando que alguém me ligava, não fiquei surpresa ao descobrir ser seu número. Mordi o interior do lábio inferior, jamais largaria aquela mania, era delicioso demais, uma promessa que jamais poderia cumprir, mas uma coisa eu poderia prometer para mim naquele instante. Sim, viverei por você.

    - Alô?


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!