Depois daquela vez, Stiles não ficou em casa. Ele apenas voltou lá para um banho, na ansia de acalmar os animos. Foi até a delegacia, mas sequer conseguiu ver seu pai, ou seja, nada de Derek Hale. Desistiu naquela hora de tentar entender a si mesmo. Colocou a chave no jeep e voltou à casa do mais velho.
Olhou de longe – pois havia policiais ainda na casa – a estrutura quebrada e sem vida, a madeira negra e o ar com cheiro de uma natureza pura. Não viu ali nada que lhe interasse racionalmente, mas parecia ele queria estar ali. Ele sempre soubera do acidente, ele desde pequeno queria saber mais sobre aquilo, mesmo agora sabendo que o outro era um lobisomem e que poderia lhe matar.
Sentiu um arrepio lhe subindo a nuca e seu alerta de perigo eminete soou forte. Talvez pelos policiais indo embora da casa. Voltou para sua casa, ainda pensando na fixação de Derek por Scott. Tudo bem que o garoto não dos mais inteligentes, nem dos mais cuidadosos, mas não era para tanto. Stiles começou a classificar o Hale como stalker. Depois de um dia inteiro pensando naquilo, ele resolveu que o melhor seria esquecer tudo.
Na escola, acabou ficando com Scott, Allison, Lydia, Danny, Jackson e Marta. Sentiu-se um tanto deslocado, de um lado, Marta não lhe encarava amigavel, mas já esperava isso. Agora Danny também não parecia se agradar com sua presença.
– Por que? - Stiles pensava, comendo - Se é um gay, por que não gosta de mim? Será que não sou... sexy?
E sorriu com o seu pensamento bobo, desviando sua atenção para a conversa sobre sair com Lydia e Jackson, Scott e Allison. Porém, ao sair a mesa, decediu que deveria perguntar ao seu melhor amigo, talvez ele pudesse esclarecê-lo.
– Ei, eu acho que Danny não gosta de mim... – disse, vendo a amigo lhe ignorar. – Ei, eu não sou sexy para um cara gay? Ei Scott! – gritou-o quando ele já saia correndo.
Voltou para casa e ligou para seu pai. Ele ainda estava na delegacia, sem demora perguntou do caso de Derek e depois de uma bronca pelo ocorrido há dois dias, o xerife respondeu que o homem já havia sido liberado, ainda no dia anterior. Os policiais chegaram a conclusão de que Laura era irmã de Derek e que ele não a havia assassinado. Segundo registros, o homem havia chegado à cidade depois do ocorrido, o que aumentava ainda sua inocencia. Ele não poderia ter levado o corpo para a cidade só para enterrá-lo.
Stiles não disse nada mais, ficou pensando em como poderia processar isso tudo. Deveria contar à Scott. E foi por esse motivo que foi a casa do garoto anoite, porém, a mãe de Scott informou da morte do motorista do onibus e por mais que Scott tivesse aquele olhar de “ Foi Derek!”, Stiles não conseguia pensar assim. Ele não podia dizer, por mais que quisesse, que Derek era o culpado. Mas fingia bem.
Depois que Scott saiu atrás do lobisomem, Stiles voltou para casa, já tinha terminado o dever de casa e resolveu deitar e dormir. Dormir naquele dia foi a parte mais dificil. Estava preocupado, com Scott, com Derek e até com seu pai. Por que se um deles acabasse morrendo o que aconteceria?
Depois do conflito entre os dois lobisomens, Scott não voltou a encontrar Derek por algumas semanas. Semanas estas que Scott passou quase inteiras com Allison e, em algum momento entre o treino de lacrosse e o vestiario, com Stiles, sem contar é claro, as conversas pelo Skype com o mesmo. Stiles esteva ocupado esse tempo também, não propriamente dito, com coisas uteis.
Alimentando o vicio por quarinhos, encomendou alguns, comprou cash para seus jogos e o mais novo que comprou falava sobre lobisomens, mas ainda não havia chegado, o que era uma pena. Ele parecia ser bem legal. Decidiu ir para o colégio logo antes que se atrasasse. Quando estava em sala, no ultimo horário, recebeu a sua prova de química. Não era novidade ter tirado A. Scott, ao contrário, um D-.
– Ei man, você precisa estudar mais... – comentou, e depois teve uma pequena briga com o lobo novo.
– Certo. Mas chega de perguntas! – Scott disse, virando-se para frente.
– Ok, nada sobre Alpha ou Derek. Especialmente Derek, ele... – disse, lembrando-se do olhar dele no carro de policia – Me assusta... – disse, sem poder definir realmente o que sentira naquela hora.
Assim que o sinal tocou, Stiles foi até seu armario correndo. Pegou o material e foi em direção ao jeep, ligando-o e saindo do estacionamento. Lembrava-se ainda de ter pedido um jeep ao seu pai por gostar de andar no meio da floresta, e riu, imaginando como seria apostar corrida com um lobisomom. Talvez Scott jogasse com ele... Talvez...
Estava tão distraído que quase não percebeu quando Derek colocou-se em frente. Freiou com força, fazendo o carro dar um solavanco. Viu Derek cair no chão e pensou que só faltava ter matado o lobo mais velho. Saiu correndo do carro depois de um muxoxo e viu Scott ao lado do lobo caído. Derek estava se transformando.
Stiles ingorou o arrepio que lhe ocorreu no corpo, bem como o choque que sentiu no cerebro, mando-o para os ares. Tinha um lobisom quase morto ali! Só ouviu parte de conversa de Scott com o mais velho. Logo, ele mandou que colocasse o lobo machucado no jeep. Os carros atrás de si gritavam com as buzinas e as pessoas já começavam a se aglomerar.
Com dificuldade, ele ajudou o mais velho a se levantar e depois de xingar Scott, voltou para o homem, colocando-o dentro do carro e dirigindo para longe. Sua cara era de poucos amigos, no volante. Scott fora para a casa de Allison buscar o projetil de acertara Derek e Stiles que tivera de ficar com o moribundo. Isso o chateava, não se sentia a vontade com ele.
Não obstante, estava preocupado. Derek Hale era um lobisomem, por que simplesmente não se curava?! Não queria, mas estava com raiva, raiva por não poder fazer nada. Estava ali, ao lado dele, e sequer poderia ajudá-lo.
– Tente não sangrar no meu banco! – disse, revoltado Stiles. – Estamos quase lá...
– Lá onde? – perguntou, cansado, Derek.
– Sua casa. – disse, voltando a atenção para a estrada.
– What? No, não pode me levar pra lá...! – disse em quase desespero.
– Não posso te levar para casa?! – exasperou-se o mais novo.
– Não enquanto não puder me proteger...!
Stiles estacionou o carro em ira. Como ele podia dizer aquilo? Ele estava sangrando e morrendo, se queria ficar caído morto no meio da rua, era isso que Stiles faria. Já estava se cansando da bipolaridade do mais velho.
– O que acontece se Scott não achar sua bala mágica? – disse, virando-se totalmente para o mais velho. – Está morrendo?
– Ainda não... – abaixou o olhar para o machucado – Tenho um ultimo recurso.
– Como assim? Que ultimo recurso?! – disse gesticulando, vendo que do braço do mais velho saia sangue – Oh my god! O que é isso? – disse, vendo Derek mecher o machucado nojento – É contagioso? Sabe, você deveria dar o fora. – disse, mandando tudo a merda. Não iria se preocupar com alguém tão infantil.
– Ligue o carro. – mandou Derek.
– Não acho que você deveria dar ordens, ok? Se eu quisesse, poderia largar seu traseiro de lobo no meio da estrada e te deixar morrer. – disse, vendo Derek lhe encarar com certa surpresa.
– Ligue o carro. Ou vou rasgar sua garganta... Com meus dentes. – ameaçou, vendo a face contrariada do mais novo.
Vencido, Stiles ligou o carro e voltou dirigir, agora em direção ao veterinario onde Scott trabalhava. Se não fosse a situação, seria até cômico vê-lo indo para um veterinário, sendo lobisomem. Mas não era hora para se divertir. Seu devaneio acabou muito rápido.
Tentou não prestar muita atenção no corpo do mais velho enquanto ele morria na sua frente, e assustou-se quando Derek lhe lancou uma serra, para que o mais novo amputasse seu braço. O corpo de Derek tentava se regenerar mas não conseguia, o resíduo da bala não permitia isso. A agonia que estava sentido era estampado no rosto do amis velho.
– Vai ter que cortar meu braço... – disse, amarrando uma fita no bíceps.
– E se sangrar até morrer?! – desesperou-se.
– Ele vai se curar se o fizer...
– Eu não sei se posso fazer isso.
– Por que não? – disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– Por que seu cortar o seu braço vai aparecer seu osso e, principalmente, sangue. – dizia, olhando para o braço machucado.
– Desmaia com sangue? – disse, achando ridiculo da parte do mais novo.
– Não, mas posso se cortar seu braço fora! – disse, fazendo feição de quem não mudaria de ideia.
– Certo... – disse Derek, pensando rápido – Fazemos assim, ou corta meu braço, ou corto sua cabeça...
– Certo! Quer saber, não acredito nas suas ameaças! – disse em raiva, por que ele tinha que ser tão infantil.
Talvez ele com sua animalescazidade toda não tivesse problema em cortar pessoas, mas um garoto de dezesseis anos, humano, tem. Sentiu Derek agarrar-lhe pela gola da camisa e pucha-lo para perto. Desesperou-se, achando realmente que o mais velho ia lhe matar. Sentiu culpa dentro do coração quando disse que o faria. Sentiu-se como se estivesse cortando uma parte de si, ele não teria coragem, sabia disso, mas ele não podia fazer mais nada.
A serra estava de encontro a pele do moreno e faltava apenas ligá-la, mas suas mãos vacilaram, seu corpo todo retesou e seus olhos lacrimejaram, não conseguiria. Nem que quisesse, não machucaria Derek. Ele continou com a arma lá, mas não conseguia fazer nada. Rezou para que Scott chegasse logo, não iria suportar, e morreria.
– Stiles! – ouviu a voz de Scott e agradeuceu a Deus.
– O que diabos está fazendo?! – disse Scott, aproximando-se.
Derek voltou a ficar ereto. Pegou a bala e a ia abrí-la quando desmaiou. E na hora, os dois jovens desesperaram. Scott, por que a bala havia caído longe e Stiles por Derek. Sentiu os pelos eriçarem e correu até o homem.
– Derek, vamos, acorde! – disse, dado tapas no rosto dele – Por favor, não me mate por isso! – e lhe deu um soco.
A mão doeu, mas ficou feliz por Derek ter voltado a vida, pois achava mesmo que ele havia morrido. Ele pegou a bala, abriu-a e queimou a resina. Jogou no machucado, como que ele estivesse queimando, e a ferida curou-se após isso. Derek caiu no chão navamente, tentando não gritar, evidentemente.
– Você está bem?- Scott perguntou.
– Tirando a dor agonizante.
– Acho que usar ironia é um bom sinal de saúde. – disse Stiles, tendo o coração acelerado demais para o seu gosto, e mais ainda quando Derek lhe olhou.
Depois de uma pequena discussão entre os dois lobos, eles se foram. Derek levou Scott a algum lugar e Stiles voltou para casa. Derek chamara apenas Scott e o humano precisava se acalmar. Muita surpresa por um dia.
Chegou em casa, tomou banho e lá, sentindo a água correr por seu corpo pensava:
– Eu estava tão desesperado, como seu eu realmente precisasse salvá-lo... – disse baixinho – A necessidade de estar ali era desumana, era como se... – Balançou a cabeça, passando as mãos no rosto varias vezes. – Sourwolf...
Sentiu um nó na gargante e saiu do chuveiro correndo, indo até a privada. Vomitou em desespero, seus olhos se encheram de lagrimas com o sufocamento , mas continuou até que não houvesse mais nada para sair. Sentou-se no chão do banheiro, ainda com o chuveiro ligado. E chorou, soluçando rápido e tentando tomar ar. Levantou-se do chão e foi até o chuveiro, entrando em baixo dele e escorando a cabeça na parede, molhando apenas suas costas. Parou de chorar rápido, prometera a si mesmo que não choraria mais, por que era forte o suficiente para superar tudo.
Bateu as mãos na parede em raiva, com a vontade imensa de se jogar contra a parede inteira. Depois de um tempo, Stiles voltou a ficar ereto, tomando água no rosto e saindo do banheiro. Seu rosto era ápatico, indiferente. Estava um pouco vermelho, mas não ligou para aquilo. Jogou-se na cama para dormir, mas não conseguiu sequer fechar os olhos.
A escuridão o fazia ter lembranças ruins, lembranças que ria esquecer, e outras que não queria nem ter visto naquele dia. Ventava, e folhas entraram por sua janela, uma delas parando até em seu peito nu. Ele pegou ela com a mão e jogou-a no chão, porém, mais uma vez, o vento trouxe folhas, e uma delas estava em seu peito, novamente. Levantou-se e foi em direção à janela.
Iria fechá-la quando ouviu um barulho de algo quebrando do lado de fora. Ouviu gritos ao longe, mas não ligou para aquilo. Olhava para a lua crescente no céu negro e lembrou-se de Derek. Ventou em seu rosto, trazendo o mesmo aroma da floresta. Olhou para a rua, e tudo pareceu tão sem graça, tão normal, tão apatico quanto si. Fechou a janela e voltou a deitar na sua cama, mas não dormiu. Não poderia estar tão preocupado assim com alguém, certo? Ele não precisava disso. Ninguém nunca precisou de sua preocupação. E por que, mesmo assim, ele esperava um “I'm fine, don't worry” de Derek.
Assustou-se com um rosnado baixinho na sua orelha e alguém sentando-se atrás de si, com as mãos em seu pescoço. Virou um pouco a cabeça, vendo que uma das mãos lhe fazia um carinho no peito. Sentiu o aroma de frutas do garoto e olhou-o pelo lado.
– Hello, peeira. – disse sorrindo, Issac. – Hora da prova...!
– Huh? Ah, sim! – disse, desvincilando-se do menino.
– Pensando em que? – indagou, com um sorriso maroto.
–Não importa... – catou seus materiais.
De repente, quem entrara pela porta fora Scott e Allison. Eles encararam os dois que ainda sentavam juntos com certa surpresa. Levantando-se, Stiles e Isaac foram até os dois e os quatro foram para a sala de aula. Stiles não se concentrou muito naquela prova, todas as informações estavam embaraçadas e seus pensamentos voavam longe.