Título: Beginning of the Storm
Day 02: Cuddling somewhere
Gêneros: romance, comédia, amizade
Data: 04/08/14
O2. Beginning of the Storm
– por Paola Tchébrikov
A mesa do refeitório estava lotada de alunos eufóricos e alegres. Naquele dia as salas haviam sido unidas, e os jovens deixados à própria sorte para debaterem sobre como fariam o evento de aniversário do distrito onde a escola se situava.
E é claro que o assunto era tudo menos a já citada festa.
Rukia, sempre ativa e perspicaz, discutia com Ichigo sobre o filme que haviam assistido no fim de semana que passaram juntos. Na mesa também estava Renji, que vez ou outra fazia um comentário malicioso sobre o relacionamento de Ichigo, Sado e Ishida, que estudavam para uma prova surpresa, e Orihime e Ulquiorra.
Aqueles sete se conheciam há anos, assim como, atualmente, eram conhecidos por estarem sempre juntos. Ichigo e Renji eram conhecidos por seus temperamentos e por viverem aos tapas. Ishida era um gênio, enquanto Sado era amedrontador e mestiço. Rukia, a lendária, era conhecida pelas inúmeras discussões com professores, Orihime era a princesinha do colégio e Ulquiorra o garoto rico e popular que era indiferente aos outros.
— Hum... — Orihime murmurou de boca cheia. — Esse pão está muito bom. Onde vocês compraram?
— Em uma padaria perto da casa do Ichigo — respondeu Rukia prontamente, pegando um dos pães doces de cima da mesa.
— Hum... — murmurou ela novamente depois de morder um generoso pedaço do doce. — Depois você me passa o endereço.
Acenando positivamente, Rukia virou a cabeça para responder ao chamado de Renji, seu melhor amigo. O ruivo sussurrou para ela algo que a deixou corada, e Ichigo, resmungando, disse que havia acabado de ouvir a mesma coisa dele.
Orihime observava os três com um sorriso. Distraiu-se a observá-los e nem viu quando Ulquiorra, sentado a seu lado, inclinou-se na direção dela, pegando seu rosto e virando-o para si.
Os olhos castanhos de Orihime se perderam nas feições masculinas dele, enquanto, com o polegar, o rapaz limpava as sobras do doce ao redor da boca dela, não tardando em usar um guardanapo para terminar o serviço.
A limpeza foi concluída com uma longa e lenta carícia no rosto delicado. Os dedos dele deslizaram pela bochecha, lábios e pescoço, antes que ele se afastasse e voltasse a observar algo fora do colégio, através das enormes janelas. Um ponto de interrogação se formou na mente dela, mas, dando de ombros, Orihime voltou a comer, fazendo uma pergunta a Ishida que nada tinha a ver com a matéria que ele estava estudando.
Eles eram jovens cheios de energia e disposição.
Quando a professora Yoruichi, de biologia, aproximou-se da mesa questionando aos alunos suas opiniões sobre irem assistir a uma reportagem sobre insetos do deserto, eles concordaram que seria interessante. Muito melhor do que ir assistir a aula dela no laboratório.
E foi após isso que ela anunciou a todos os alunos do terceiro ano que o horário seguinte, para os alunos que teriam biologia naquele dia, seria a exibição de um vídeo e um relatório da aula como lição de casa.
Muitos alunos suspiraram desanimados, outros murmuravam que queriam continuar ali, mas, no fim, todos foram sem fazer maiores objeções.
Ishida, acompanhado de Sado, sentou-se na frente, na sala circular com um projetor. Renji e Ichigo, como sempre pouco interessados nas aulas, arrastaram a "baixinha" para o fundão, onde cochicharam e riram várias vezes. Orihime, que não era nerd nem desinteressada, escolheu um lugar no meio da sala, sendo acompanhada por Ulquiorra, que parecia, como sempre, pouco interessado em tudo ao seu redor.
Acomodaram-se, ouviram a professora explicar brevemente o assunto e avisar que estaria na sala dos professores, antes de sair e deixar os alunos à vontade. Quando as luzes se apagaram, e o projetor mostrou uma contagem regressiva, vários gritos e assovios soaram, fazendo a Inoue rir divertida.
Ela remexeu-se no lugar, procurando uma posição confortável no banco de dois lugares. Havia sido quase que sem querer que houvessem escolhido logo um banco duplo. Esticando as pernas e cruzando os braços sobre o peito, Ulquiorra olhava para frente com aparente interesse no assunto.
A serenidade dele fê-la acalmar-se. Ulquiorra não faria nada que ela não quisesse, Orihime sabia. Descansou as mãos sobre o colo e prestou atenção no filme, soltando exclamações de surpresa quando um novo inseto era apresentado aos espectadores.
Estava tão concentrada na tela que levou um susto ao sentir mãos frias deslizarem por seu braço. Ficou estática, arrepiando-se quando os dedos de Ulquiorra subiram até seu pescoço, afagando sua nuca. A massagem lenta causava uma pressão reconfortante e uma sensação de êxtase nela.
Não objetou quando, segurando-a firmemente pela nuca, Ulquiorra virou seu rosto para si e aproximou-se dela, deixando que seus lábios deslizassem suavemente sobre sua boca.
Orihime suspirou, separando os lábios e sentindo seus pelos eriçarem. Os dedos dele voltaram a acariciá-la na nuca, enquanto a outra mão, ousada, afagava de leve sua perna. A mão da moça foi parar no rosto dele, mantendo-o por perto, e o beijo tornou-se profundo por incentivo de Orihime, que deslizou sua língua para dentro da boca do rapaz.
E foi no escurinho da sala de vídeo, com um filme sobre insetos ao fundo, que eles tiveram seu primeiro momento de intimidade. Os dedos de Orihime desenharam as linhas do rosto dele, deslizando pelo pescoço e pelo colo desnudo, liberando-o do aperto da gravata do uniforme.
Quando o ar faltou, minutos depois, ambos se separaram arfantes. Os lábios de Ulquiorra deslizaram até o pescoço dela e, em um lugar visível a todos, ele marcou-a, surpreendendo-a. Duas meninas, sentadas na fileira de trás, pigarrearam, fazendo a Inoue corar e afastá-lo de si, sentando ereta no banco e não desviando mais os olhos da tela.
Já Ulquiorra apenas lançou um olhar entediado para a dupla, voltando à posição anterior, mas agora muito mais perto de Orihime. Sua mão segurou a dela com carinho, entrelaçando os dedos, e seu polegar afagou durante todo o resto do filme as costas de sua mão.
A sombra de um sorriso dela durou até que as luzes tivessem sido acesas e, com malícia, Rukia abrisse um espelhinho, mostrando para a amiga algo que não estava lá um pouco mais cedo.
— U-Ulquiorra! — Orihime murmurou corada, virando-se para o rapaz que, com expressão serena, deu apenas um pequeno sorriso, divertido por sua travessura.
Aquele era só o início da tempestade.