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? Apressem-se! ? ele ordenou à equipe, em seguida, ao passar pela saída, após todos terem-na ultrapassado, o garoto virou-se para o interior do local: ??Katon ? Goukakyuu no jutsu?!
(...)
O cômodo estava meio escuro, sendo iluminado apenas pela luz do abajur. O rapaz inconsciente repousava sobre a cama de solteiro, enquanto a garota, sentada numa poltrona, folheava algumas páginas do livro que tinha em mãos:
? Hãn?! ? abriu os olhos com dificuldade, olhando ao redor. ? Onde estou? ? perguntou num sussurro, então se virou para a pessoa sentada ao lado do leito no qual se encontrava, sentindo-se ameaçado no mesmo instante ao reconhecê-la. Tentou se afastar, porém, a fraqueza o impediu de se mover mais do que alguns centímetros.
? Acalme-se! Não lhe farei mal ? afirmou a voz familiar.
? O que estou fazendo aqui? ? inquiriu com a voz abatida, porém, manteve a indiferença, voltando seu olhar para o teto, um pouco mais calmo.
? De nada Uchiha ? ironizou. ? A batalha deve ter sido intensa, você sofreu muitos danos... ? analisou o corpo do jovem todo machucado à sua frente. ? Tanto a parte interna quanto a externa foram brutalmente danificadas, se eu não o tivesse encontrado a tempo... ? pensou, depois balançando a cabeça negativamente a fim de espantar pensamentos inoportunos.
O jovem então nada mais proferiu, mantendo seus olhos fixos no vazio, enquanto ela colocava o livro sobre a mesinha ao lado e habilmente começava a trocar alguns curativos.
(...)
Na pousada, alguns ajudavam na cozinha enquanto outros estavam reunidos na sala jogando conversa fora, esperando o jantar.
A morena caminhava pelo corredor indo rumo ao seu quarto, no entanto, foi abordada pelo loiro que vinha em sua direção:
? Hinata! ? ele chamou-a, embaraçado.
? N-Naruto-kun?! ? indagou terrivelmente corada.
? Er... eu, é ? buscava palavras ?, sobre ontem no vestiário, é... foi vacilo meu confundir a área feminina com a masculina... Desde então você esteve me evitando e eu... ? foi interrompido.
? E-Está tudo bem, N-Naruto-kun! ? afirmou desviando-se do loiro e seguindo seu caminho a passos rápidos, como se estivesse fugindo.
? Não! Não está ? discordou indo atrás da garota e agarrando-a pelo braço e puxando-a contra-si.
? M-Muito perto, eu... eu... é... ? proferia palavras sem nexo, por conta da proximidade de seu rosto ao do garoto que fitava-lhe os lábios.
? H-Hina-chan?! Preciso conversar com você... É um assunto sério! ? avisou, tentando manter a atenção voltada para os olhos dela e não para a sua boca.
? O-Ok! ? ela concordou, também olhando-o nos olhos.
(...)
Sentados no chão pedregoso e escorregadio, dentro da gruta iluminada pela luz da lua que adentrava o local pelos orifícios situados no teto e refletia-se nas águas:
? Sasuke... Sasuke... ? sua voz chorosa ecoava pelo lugar. ? Porque isso foi acontecer?! ? inquiriu-se com os olhos marejados, a jovem de cabelos ruivos, ferida.
? Olha o lado positivo! ? disse o garoto. ? Eu estou aqui com você!
? Humpf! Era só o que me faltava ? falou com desdém, olhando para o lado.
? Pois é... você devia ter caído aqui sozinha ? retrucou, o rapaz ferido encostando-se à parede rochosa. ? Complicado isso! Gostar de alguém que ama outra pessoa, pior ainda é ter como única alternativa, servir de palhaço para ter um pouco de sua atenção. Garota insuportável! ? pensou amargurado, olhando para o nada.
? Porque eu tinha que ter caído junto com essa ?coisa?? ? indagou-se.
? O destino e suas ironias! ? ele zombou.
? É... ele não foi com a minha cara ? desabafou, desapontada.
? Hum... ? pôs-se à frente da garota, aproximando suas faces. ? Desculpa! ? disse olhando-a nos olhos.
? Hãn?! ? assustou-se com a ação repentina do garoto, tentando se distanciar, porém sendo impedida pela grande pedra atrás de si. ? Suigetsu, o que v-você... ? foi silenciada pelos lábios do rapaz que se selaram aos seus.
Após o beijo demorado, ela não mais pronunciou-se, permanecendo a olhá-lo nos olhos. O jovem, por sua vez, deitou-a delicadamente no chão e pôs-se sobre ela, voltando a beijá-la. Sem manifestar-se, Karin apenas cedeu.
(...)
Perdido em meio à mata, o homem de cabelos alaranjados caminhava desnorteado, gritando pelos nomes de seus companheiros:
? Sasuke?! Suigetsu?! Karin?! ? seus berros ecoavam pela floresta imensa, fundindo-se aos ruídos da vida selvagem noturna, o que para pessoas normais seria assustador. ? Onde será que eles estão? ? perguntou-se.
? Olá! ? saudou, uma menina que seguia pela trilha e parecia se divertir.
? Eh... Oi, o que faz aqui? ? indagou espantado. ? É perigoso uma criança brincar em um lugar como esse, ainda mais à noite!
? Não sei, não estou brincando! ? respondeu inocentemente o observando.
? Está perdida?
? Talvez! ? disse, olhando à sua volta.
? Quer que eu a ajude a encontrar sua mãe? ? inquiriu simpático.
? Não! ? recusou, a menina expressiva.
? Como não? Você quer ficar aqui perdida? ? perguntou, confuso.
? Mamãe me deixou aqui, não quer que eu volte! ? explicou, com o olhar opaco, distante.
? Hum... Eu sinto muito!
? Tudo bem! ? ela voltou a fitá-lo. ? Eu estou feliz neste lugar, pois ? seus olhos percorreram novamente pela floresta ?, aqui tem muitos passarinhos, árvores e, mamãe não deve chorar mais, agora que estou longe ? afirmou, contente.
? Tão pequena e já uma rejeitada, mais uma como eu ? pensou, entristecido. ? Já que você não tem ninguém, gostaria de vir comigo? Estou procurando os meus amigos que se perderam.
? Sério nii-san?! ? indagou com os olhinhos brilhando de felicidade. ? Prometo não dar trabalho, ajudo com os teus ferimentos... Você está bem ferido, aliás, meu nome é Yuki!
? Belo nome, o meu é Juugo. Vamos? ? estendeu a mão para ela.
? Sim! ? aceitou sorrindo, caminhando para perto do maior.
Os dois continuaram andando pela floresta em busca dos membros perdidos do time Taka, se bem que, de fato, ambos Juugo e Yuki também se encontravam perdidos no momento.
(...)
No dia anterior:
? ?Katon ? Goukakyuu no jutsu?! ? a luz flamejante adentrou violentamente o túnel e quando a fumaça se desfez, não havia mais ninguém no local. ? Droga! Posso sentir o chakra por perto ? murmurou, quando foi surpreendido por vários ninjas mascarados. ? Quem são vocês? ? perguntou em seu tom arrogante.
? Somos mercenários! ? o provável líder, manifestou-se. ? Sua cabeça sobre uma bandeja vale ouro nukenin de Konoha, Uchiha Sasuke!
? Hum ? suspirou entediado. ? Eu já esperava que, mais cedo ou mais tarde, algo assim fosse acontecer ? pensou. ? Tudo bem então, conclua o seu serviço ? sugeriu sério, depois sorrindo de canto ?, se ?puder?, é claro!
? Hahahaha ? riu descontroladamente. ? Você é realmente como dizem os boatos, é confiante, se garante demais, estou honrado em conhecê-lo ? curvou-se frente ao rapaz o reverenciando. ? De fato, o que lhe sobra de presença e porte, compensa-lhe a falta de idade. Você é realmente muito jovem, aliás, bem mais do que eu imaginava... ? contou, analisando as feições juvenis do moreno.
? Hum ? desfez o falso sorriso, ficando com uma expressão sombria, logo seguindo para o ataque.
? He he! Quanta agressividade ? disse, o homem se desviando de alguns golpes.
Os outros ninjas deixaram o comandante lutando contra o garoto do sharingan e foram pegar o resto da equipe.
Passado algum tempo já estavam todos exaustos, então o Uchiha prevendo que logo o time se renderia, manifestou-se:
? Suigetsu! Karin! Juugo! ? chamou-os. ? Fujam daqui para o mais longe possível ? ordenou ativando o Susanoo e barrando os ninjas que atacavam a sua equipe.
? Mas nós não podemos te deix... ? a ruiva foi interrompida.
? É uma ordem! ? vociferou autoritário.
? Vamos Karin! ? disse o garoto de cabelos branco-azulados pegando na mão da garota e a arrastando consigo.
? Não irei! Você está cansado das outras batalhas que tivemos hoje mais cedo ? contestou, o mais velho se aproximando para ajudar. ? Posso estar machucado também, mas não fugirei!
? Juugo! Obedeça-me! ? exigiu, exaltado. ? Preciso de você vivo!
? Ok! ? suspirou derrotado, vendo que não daria em nada contrariá-lo. ? Trate de voltar inteiro ? pediu, virando-se e indo rumo mata a dentro.
? Uhum ? assentiu para o outro rapidamente, voltando à atenção para os seus oponentes.
Sasuke então correu pela floresta em sentido contrário ao que seus companheiros haviam tomado, sua intenção era afastá-los o suficiente para dar tempo dos outros se distanciarem bastante dali.
A luta seguiu-se intensa, afinal, eram cinco contra o Uchiha.
Enquanto o moreno enfrentava uma batalha sem descanso, ainda naquela noite, na pousada, no vestiário feminino mais especificamente:
? N-Naruto-kun?! ? corou aterrorizadamente, a menina que se despia ali.
? H-Hinata? ? indagou erguendo-se com os olhos arregalados, deixando a toalha cair.
? Ahhhhh! ? gritou a garota com a face assustadoramente ruborizada ao ver ?isso e aquilo?, em seguida caindo no chão, desmaiada.
Nisso, todos os garotos que estavam dentro do banheiro escutaram o berro da Hyuuga e enrolados em suas toalhas foram correndo até o vestiário feminino ver o que tinha acontecido:
? O que houve? ? adentrou o local paralisando ao avistar Naruto completamente pelado e Hinata caída no chão, vermelha feito pimentão. ? Quando eu disse dar um passo, não me referia a um "salto triplo" ? disse chocado, o garoto pálido parado na soleira da porta junto dos outros curiosos.
? Não é isso que vocês estão pensando, eu... ? procurava palavras para explicar aos amigos, que estavam tumultuados na porta e que provavelmente esperavam que o loiro esclarecesse aquela cena.
Ainda no quarto com sua amiga Ino, a jovem de cabelos róseos, decidida, juntava os seus pertences:
? Sakura?! Tem certeza disso mesmo? ? perguntou, preocupada.
? Sim! Não estou em clima para férias, quanto mais serviço, melhor ? afirmou, forçando parecer-se enérgica. ? Aliás, é algo que eu gosto e, sinto que tenho que fazer isso! Avise aos outros que sai em missão e que não sei quando poderei voltar, diga para que não se preocupem, afinal, só irei estudar a "riqueza" medicinal que essa imensa floresta tem a oferecer e... aproveitarei para refletir um pouco ? finalizou, terminando de arrumar suas coisas.
? Hum, ok! Se é isso mesmo o que você quer, espero que não lhe faça mal ? apoiou, a loira já saindo do quarto. ? Até a próxima então, ?testuda?!
? Ah claro, ?porquinha?, até mais! ? despediu-se seguindo pelo corredor rumo à porta, cruzando a mesma e pondo-se a caminhar mata à dentro.
A jovem seguia destemida pela floresta sombria devido à noite. Um tempo depois, Sakura começou a notar pelo chão rastros de sangue, logo sucedendo-se por grandes estragos no local, levando-a a conclusão de que teria acontecido uma batalha ali perto.
Curiosa, continuou seguindo os vestígios e armas ? que provavelmente teriam sido usadas na possível luta que ocorrera naquelas redondezas ?, caídas ao chão, até deparar-se com uma cascata.
Assustou-se ao ver um corpo do outro lado da queda d'água, aproximou-se do rapaz desacordado, extremamente ferido, sangrando, caído de bruços à margem d'água com o braço direito imerso na mesma.
? Sa-su-ke... kun?! ? proferiu chocada ao reconhecê-lo.
Com os olhos inevitavelmente transbordando lágrimas, aproximou-se do garoto para checar-lhe o pulso.
Num lugar distante dali, ainda no meio da mata, o rapaz corria sem parar puxando a ruiva consigo.
? Ahhh! Me larga ? ordenou, impaciente. ? Já estamos correndo há horas, como você pôde me arrastar? Eu deveria ter ficado e ajudado ele.
? Se tivéssemos ficado, no estado em que estamos, teríamos apenas atrapalhado ? concluiu, irritado.
? Eu sei que tivemos muitas batalhas hoje, mas ele também lutou, ele também deveria estar exausto ? ela retrucou, emburrada.
? Ah, não enche! ? resmungou, soltando o braço da garota.
? Ótimo! Vou voltar pra lá ? ela informou, se virando e caminhando a passos rápidos, porém cansados.
? Aí! Deixa de ser idiota, mulher ? alertou seguindo-a, também às pressas.
Ela ia à frente em direção a alguns arbustos, enquanto ele a seguia logo atrás. A mata ali estava muito alta, o que dificultava andar.
? Ahhhhhhhhh! ? ela gritou ao cair dentro de uma abertura no chão, que até então estava camuflada pela moita.
? Hãn?! O que... ? o rapaz se assustou com o sumiço dela, indo mais a frente, procurá-la. ? Ahhhhhhhhh! ? caiu também.
Ambos foram parar dentro de uma espécie de lago que se formava naquele local.
? Cof... cof... cof... ? ela tossiu, cuspindo água após emergir do fundo da mesma.
? Ufa! Ainda bem que é só água. Você está bem? ? indagou à garota que nada respondeu, apenas caminhou até a margem e sentou-se encostada em uma pedra. ? Tá vendo só o que você fez? ? ele inquiriu, saindo d'água e sentando-se recostado à parede rochosa.
? O que eu fiz? Ora, não fiz nada, não mandei você me seguir ? contestou com arrogância. ? Além do mais, cair numa gruta não é lá o fim do mundo ? ela falou, olhando para o lado.
? Sei...
Perto da cascata, a rosada executava os primeiros socorros, ali mesmo, tentando manter-se calma, porém, derramava litros de lágrimas:
? Sasuke-kun! Ainda bem que cheguei a tempo ? agradeceu, preocupada com o moreno.
Após estancar algumas hemorragias em áreas críticas, ela o pegou pelo braço o puxando em sentido transversal sobre si, apoiando-o em suas costas e com o outro braço, segurando numa das panturrilhas do garoto. Em seguida ela amparou-se sobre suas próprias pernas, uma de cada vez para que conseguisse levantar, porém estava pesado, o que não a poupou de gritar:
? SHANNARO! ? assim com chamas nos olhos e adquirindo uma força sobrenatural, elevou-se completamente, pondo-se a caminhar carregando em suas costas o Uchiha inconsciente.
(...)
O moreno deitado sobre a cama observava tudo ao seu redor, enquanto a garota acendia a luz e sentava-se ao seu lado, mexendo numa pequena caixa:
? Faz quanto tempo... que estou aqui? ? ele perguntou, com dificuldade.
? Desde a noite passada ? respondeu com a atenção voltada em algumas agulhas que retirava da caixa, selecionando uma delas, desembalando-a e logo encaixando-a na seringa.
? Hum ? ele fechou os olhos suavemente quando a viu se aproximar com a seringa em mãos, preenchida com um líquido esbranquiçado. ? Vai me matar? ? indagou sarcástico, quase num sussurro, sem abrir os olhos.
? Não ? ela respondeu, seca, introduzindo delicadamente a agulha na pele alva e aparentemente frágil do rapaz.
Ele sentiu o líquido invadi-lo como se estivesse rasgando sua veia, porém, manteve-se de olhos fechados, sem expressar alguma reação.
? He he... ? ela olhou para a cara do garoto. ? Só ele mesmo para dar uma de durão numa hora dessas! Isso deve tá doendo pra danar ? pensou, rindo disfarçadamente.
? O que é engraçado? ? ele perguntou em voz baixa, apático.
? Er... nada não! ? respondeu, contendo o riso. ? Volte a dormir, já está tarde ? falou, retirando a agulha, em seguida passando um algodão embebido com álcool no local.
Então ela levantou-se, depositou um rápido beijo carinhoso sobre a testa dele, apagou a luz. Próxima da poltrona, sentou-se pegando o livro na mesinha ao lado e virou-se para o rapaz:
? Durma bem! Qualquer coisa é só falar ? informou, abrindo o livro e começando a ler usando apenas a iluminação do abajur.
Sasuke nada disse. Continuou de olhos fechados, no entanto, o Uchiha não pôde evitar de dar um breve sorriso tranquilo lembrando-se do beijo em sua testa.
O destino e suas ironias, não? Seria esse o recomeço de um sentimento positivo na vida do nosso bravo herói às avessas?